maio 10, 2004

Alguém tem que ceder (Something's gotta give)

Nunca entendi as diferenças entre homens e mulheres como uma batalha, muito menos uma guerra. Homens e mulheres mudam com a idade, mudam o modo como se vêm, como vêm o mundo, como se vêm a si próprios, suas virtudes e defeitos. Compreender estas diferenças e aceitá-las é parte da “trégua” e parte do segredo para uma sã convivência, quem sabe, para encontrar a felicidade.
Nunca tinha visto isto abordado num filme com tanto humor e inteligência como no filme cujo título abusivamente roubei para este post. Bem me tinham avisado…

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maio 03, 2004

A tradição ainda é o que era (revisto e aumentado)

Pelas quinas do escudo português! Ouvi por aí dizer que andamos a hipotecar a nossa tradição enquanto povo. Tradição essa que não é mais do que a pedra basilar de toda uma cultura que se quer preservada para fazer frente ao papão dos tempos modernos - a globalização - que estende as suas garras e ameaça retirar-nos a identidade. No entanto, venho aqui deixar uma palavra de esperança. (E aqui começa a parte menos séria da “cena”).
Se alargarmos o conceito de tradição ou se considerarmos como tal comportamentos repetidos de uma forma contínua e insistente perpetuados entre gerações, facilmente iremos verificar que muitos dos costumes hoje implementados nesta sociedade que é a nossa, remontam, num ou noutro caso às alturas do nascimento da nação. É o caso desse hábito tão português que é o da violência doméstica. Esta realidade atroz é, segundo o ponto de vista aqui (desavergonhadamente) defendido, tão somente uma herança cultural intrínseca ao facto de D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, ter arreado em forte na bastarda sua mãe e ter ganho um país com isso. Assim, sim! É de homem.
Também no campo do trabalho infantil fomos pioneiros. Lugar que só temos mantido à custa de muito esforço. Dos petizes, bem entendido. Sempre tivémos por hábito de colocar a nossa juventude a trabalhar desde bem cedo. Reis na flor da adolescência, são mote ao longo da nossa história. Um dos mais famosos pela demora que já leva sem que ninguém saiba do seu paradeiro é, obviamente, el Rey D. Sebastião (se não se lembrarem quem é, é o tipo o da música do José Cid. Oiçam-na e pode ser queaprendam alguma coisa). Se se confirmar a hipótese mais pessimista, que sua majestade morreu em combate por terras africanas, estamos perante um caso de acidente laboral (lá está!).
Noutro campo da sociedade, todos os anos confrontamos a mesma negra e macabra realidade, a sinistralidade automóvel que ceifa, ou melhor, debulha e enfarda milhares de vidas todos os anos. Entrar em contra-mão nas auto-estradas é natural. Tão natural quanto o foi para o Vasco que se enganou no caminho quando queria ir para a Índia e descobriu a América (para todos os que estão a pensar "então mas este gajo não percebe nada de História?" deixem-me dizer-lhes que, como alguns historiadores defendem, a proximidade da rota a terras de Vera Cruz, para uma navegador experimentado, daria sinais inequívocos da existência de terra. Mas, como a conjuntura política não seria ainda favorável dado a indefinição em torno do Tratado de Tordesilhas, Vasco da Gama terá prosseguido para a Índia voltando com essa informação entretanto mantida em segredo e que Pedro Álvares Cabral terá aproveitado. Defendida a minha reputação, continuemos).
Um outro colega seu que respondia pelo nome de Cristóvão Colombo, com dificuldade em encontrar emprego em terras lusas, após ter tentado ganhar a vida como saltimbanco a equilibrar ovos, emigrou para Espanha, conquistando ao seu serviço glória que nos apressámos a reivindicar (afinal de contas o gajo é portuga) e à qual nos encostámos. Qualquer coisa parecida ao viver dos rendimentos dos nossos emigrantes.
As saídas de território nacional nem sempre se fizeram só de razões de ordem laboral. A escolha de terras de Vera Cruz (Brasil, meus amigos, Brasil!) para “refúgio de férias” de uma figura púlica de Felgueiras, homónima de apelido, também não é ocasional. Já por volta de 1807 a corte portuguesa achou por bem dar corda aos sapatos não fosse o caso da coisa dar para o torto.

Pausa para esclarecimento: Quem esteja a ler esta mísera dissertação pode, por esta altura, estar ligeiramente ofendido no seu patriotismo, ou completamente descrente neste vosso amigo. Qualquer que seja o estado de espírito, o meu sincero obrigado por ter aguentado até aqui (este foi, oficialmente o último acto de auto-comiseração. Já deviam saber ao que vinham). Já foram fazer a mija da ordem? Então, siga!

Poderia ainda fazer aqui desfilar um rol de exemplos de acidentes domésticos (outro campo em que estamos muito bem colocados no panorama internacional) de Martim Moniz que se entalou, ao Salazar que caiu da cadeira e (felizmente) aleijou-se, passando por D. Maria Francisca que pariu D. Duarte de Bragança mas, basta! Já chega de maledicência!
Nem só de tristes e infelizes heranças se faz a história deste país à beira mar plantado. O primeiro atleta para-olímpico português, percursor da senda de vitórias dos seus sucessores, visionário vesgo, salvou o grande bastião da literatura portuguesa nadando com um só braço, vendo a meta com um só olho. Desportista ímpar, este Luís Vaz!
Hoje, alguns séculos volvidos, continuamos impregnados destas e doutras tradições que, como aqui expus, poderão ser heranças pesadas mas, simultaneamente, continuamos a ser capazes de grandes conquistas que nos enchem o peito e purgam a alma das merdas do dia a dia. Temos Camões, Saramago e Pessoa; Amália, Eusébio e Figo; fazemos Expos, Euros e Estádios; estradas, auto-estradas e pontes… e, PORRA! Na última até fizémos uma feijoada para comemorar!!! Ah, Portugal!

O Comandante

Publicado por obicho em 10:32 PM | Comentários (7)

abril 26, 2004

I see naked people

Nos dias que correm, não dou conta dos cinco que tenho, porque havia de querer mais um?
A vista anda cansada. A culpa é da recessão que se estendeu às empresas têxteis que abastecem as fábricas de pronto-a-vestir que, por sua vez, aproveitando a onda de calor, se viram obrigadas a cortar no tecido obrigando as mulheres a andarem com mais pele à mostra.
Em contrapartida, o tacto e o paladar pecam por falta de uso encontrando-se confinados às suas tarefas rotineiras – dói aqui, dói ali, sabe a isto, sabe áquilo, e assim em diante… Enfim, nada de Braille nem sessões de degustação fora do comum.
A audição parece estar bem. Pelo menos até oiço vozes quando não está ninguém em redor. O médico diz que preciso de mulher urgentemente. No entanto, “cheira-me” que não está para breve.
Com os cinco que tenho neste estado lastimoso, acham que preciso de um sexto? Metam-no no…

O Comandante

Publicado por obicho em 11:35 PM | Comentários (2)

abril 19, 2004

The girl next door

De vizinhas do lado percebia ele. A primeira que tinha tido, com idade para ser sua mãe, era daquelas que tinha a boca moldada a murro de mecânico - seu esposo. Os dentinhos é que já tinham tido melhores dias.
Aquando da primeira mudança de casa, conheceu Madalena, sua nova vizinha. Ele já nos primeiros anos da adolescência, ela nos primeiros da vida adulta. De verão, ela punha-se nas traseiras da casa a apanhar o calor do sol em fato de banho e ele, por detrás do muro, espreitava e encalorava-se com o fato de banho dela.
À segunda mudança, a terceira vizinha. Em idades semelhantes e em plena adolescência, apaixonou-se. Mas ficou por aí. Levou com os pés uma e outra vez.
Hoje de vizinhas do lado, ele só quer saber das dos outros. E não são todas...

O Comandante

Publicado por obicho em 03:31 PM | Comentários (1)

abril 12, 2004

Ofendam-me brutalmente, por favor...

Desde já peço desculpas aos nossos leitores e meus congéneres por este “não post”. Prosto-me a vossos pés aguardando punição. Se me quiserem castigar com chibatadas dadas por uma qualquer dominatrix furiosa… esqueçam. Já uma pica de enfermeira…
Ainda me sugeriram pegar no tema pela “varinha mágica” mas eu recusei-me determinantemente porque não gosto de me vangloriar! Ou ainda pelo “jeitinho de mãos”… mas também não gosto de falar disso.
Enfim, no que a mim me toca, se aparecer alguém por aí que desvende a cabeça das mulheres, leva o título. O gajo que me fizer voltar a inspiração e vontade de escrever, conquista o direito a ocupar o mesmo lugar no pódio ex-aequo.

O Comandante

Publicado por obicho em 11:55 PM | Comentários (1)

abril 06, 2004

Jogos sem Fronteiras

Que se lixe! Não quero saber! Que ninguém me diga que não posso, que não consigo! Hei de ganhar! Hei de vencer e conseguir o que quero! E se perder que o faça de cabeça levantada! Que saiba honrar a derrota. Outras batalhas virão para ganhar. Mesmo ferido, hei de me levantar e lutar.
Cerro os punhos, cerro os dentes e recebo os tiros no peito. Mas não morro, cresço!

O Comandante

Publicado por obicho em 01:21 AM | Comentários (1)

março 29, 2004

Evangelho segundo S. João (que de santo não tem nada) - Versão resumida

Não houve imaculada concepção. Como se explica no texto de apresentação, a mãe, de virgem não tem nada. Puta dum cabrão!…
Dos pais, também não há notícia de algum deles ser carpinteiro. Arquitectos, engenheiros, geógrafos, economistas, mas carpinteiro… nenhum.
Graças a Deus (seu concorrente) que os seus discípulos não foram criados à sua imagem. Havia de ser bonito…
O Bicho não tem sexo. Não por qualquer princípio altruísta ou convicção religiosa mas porque o camafeu é feio como a minha bota esquerda e não há gaja que lhe pegue.
O Bicho gosta de si próprio acima de todas as coisas.
O Bicho blasfema. Tanto que quando uma cabeça fala, as outras coram de vergonha.
O Bicho garante que a concorrência (Deus, Buda, Alá, etc) são impostores e que frequentam bares de alterne frequentemente.
Anda tudo desejando que chegue o raio do jantar. Aquele em que se lixa a personagem principal da história. Anda tudo farto do gajo e estão desejando limpar-lhe o cebo.

O Comandante

Publicado por obicho em 11:50 PM | Comentários (2)

março 22, 2004

Por amor de Deus! Uma cópia?!...

Porque a inspiração nem sempre passa aqui a horas certas, desta vez deixo-vos com um texto que acho genial independentemente de a situação descrita ser verdadeira ou falsa. A autoria, obviamente, não é minha (mas eu gostava que fosse).

«O Dr. X (vamos manter o anonimato na medida do possível), do Dep. de Física da Universidade de aveiro é conhecido por fazer perguntas do tipo: "Porque é que os aviões voam?".
A sua única questão na prova final de Maio de 1997 para a turma de "Transmissão de Momento, Massa e Calor II" foi: "O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique a sua resposta." (ou seja, se o Inferno é um sistema que liberta calor ou se recebe calor).
Vários alunos justificaram as suas opiniões baseados na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma, mas um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:

"Primeiramente, postulamos que, se as almas existem, então elas devem ter alguma massa. Se tiverem, então uma mol de almas também tem massa. Então, em que percentagem é que as almas estão a entrar e a sair do inferno?
Eu acho que podemos assumir seguramente que uma vez que uma alma entra no inferno nunca mais sai. Por isso, não há almas a sair. Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhadela às diferentes religiões que existem no mundo hoje em dia. Algumas dessas religiões pregam que, se não pertenceres a ela, então vais para o inferno. Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projectar que todas as pessoas e almas vão para o inferno. Com as taxas de natalidade e mortalidade da maneira que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno.
Agora vamos olhar para a taxa de mudança de volume no inferno. a Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem constantes a relação entre a massa das almas e o volume do Inferno também deve ser constante. Existem então duas opções:
1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir.
2) Se o inferno se estiver a expandir numa taxa maior do que a de entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele. Então, qual das duas opções é a correcta?
Se nós aceitarmos o que a aluna Teresa Maria me disse no primeiro ano: "Haverá uma noite fria no inferno antes de eu ir para a cama contigo", e levando em conta que ainda NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações sexuais com ela, então a opção 2 não é verdadeira.
Por isso, o inferno é exotérmico."

O aluno antónio José tirou o único "20" na turma.»

O Comandante

Publicado por obicho em 11:41 PM | Comentários (2)

março 15, 2004

(Quase) Chorrilho

Há coisas de tal maneira desejadas e improváveis de acontecer que quando, eventualmente, quase acontecem, nos elevam de tal modo que, mesmo não tendo acontecido nos deixam o sabor daquele “quase”… Imagina-se tudo o que quase se disse, imagina-se tudo o que quase poderia acontecer, quase esquecendo que não se passou nada. O “quase tudo” é, afinal, um “quase nada”. Quase que nos perdemos em suposições. Quase que acreditamos e afinal, quase sempre não se passa nada. Quase tudo frustrações!
Quase não percebo o que escrevi…

QPS (Quasi post scriptum)
Quase que não tenho vontade de escrever.
Com o Tema Livre, quase que não me oriento.
Quase… Quase… Quase…

O Comandante

Publicado por obicho em 07:02 PM | Comentários (6)

março 09, 2004

Minhas senhoras, aproveitem-no…

Nunca percebi, ou por outra, sempre achei profundamente contraditório isto de a Mulher chamar a si um Dia Internacional para comemorar a sua condição enquanto tal. Não deveria ser precisamente o contrário? Se querem reivindicar a sua igualdade perante o Homem, no mínimo estes deveriam ter o seu dia internacional em que saíam de casa em rebanho, se embebedavam e marchavam a caminho do strip-tease num qualquer bar da cidade. A comemoração deste carácter de excepção não acentua precisamente o contrário? Não marca a libertação de um conjunto de hábitos extremamente “femininos” presentes no seu quotidiano? Mas fazem isso num só dia do ano? E os restantes 364? São Dia Internacional do Homem? Não me parece…
Mas continuam a querer comemorar a sua feminilidade? Pois façam-no! Ainda querem queimar soutiens? Pois façam favor! Querem largar os maridos em casa uma vez no ano? Pois bem. Soltar a franga? Que bom! Querem um dia para aproveitar terem nascido mulheres? Pois bem, aproveitem-no e bem porque só volta a haver outro para o ano! Até lá… Bons sonhos.

O Comandante

Publicado por obicho em 03:39 PM | Comentários (5)

março 01, 2004

Jean Pierre, tu vas tomber!...

A constante aprendizagem foi e é condicão essencial na formacão do Homem, da sua evolucão e crescimento enquanto tal. A vida, por sua vez, faz-se de um conjunto de experiências que se acumulam enriquecendo cada indivíduo e dando-lhe a nocão do que é este processo a que convencionámos chamar "viver".
No entanto, e porque o Homem é um animal de interesses, qualquer experiência vivida terá que ter atrás de si um qualquer benefício, um qualquer estímulo... Tudo de acordo? Pois bem, sendo assim... SERÁ QUE ALGUÉM ME EXPLICA POR QUE RAIO DE CARGA D'ÁGUA (bonita expressão, esta...) VEM UM GAJO PARA A NEVE A MILHARES DE KM DE CASA PARA APRENDER A ANDAR EM CIMA DE UM BOCADO DE MADEIRA PARA CAIR DE 10 EM 10 SEGUNDOS? QUAL SERÁ O ESTÍMULO? OLHAR PARA O CÉU?!... BATER COM O FOCINHO NO CHÃO?!... A DOR?!...

O Comandante

Publicado por obicho em 09:31 AM | Comentários (6)

fevereiro 23, 2004

Hoje sou eu a escrever? Azar o vosso!

João não era um tipo supersticioso. Aliás, era anti-superstições. Tão anti que era quase supersticioso acerca das suas anti-superstições. Era o tipo de gajo que passava debaixo de escadas quando via uma enquanto que todas as outras pessoas, pelo sim pelo não, iam de volta.
A única coisa que alguma vez tinha tido algo na sua vida semelhante a uma superstição (ou convicção, nunca percebeu muito bem…) foi até aí cerca dos vinte anos em que dizia que namorada sua seria loira de olhos azuis. Pronto, com uma concessãozinha na cor dos olhos mas, loira, invariavelmente! Passou-lhe a tara à terceira. Demorou a perceber mas, eventualmente, chegou lá. Fartou-se de tal maneira que jurou para nunca mais. Entretanto, com o tempo a passar, voltou atrás e já não descarta ninguém – nada de descriminações. Há quem diga que é por necessidade, eu não acredito. Mas nem assim as coisas lhe correm como gostaria.
Sabem o que eu lhe digo? Azar, meu amigo, azar…

PS - Que bosta de post...

O Comandante

Publicado por obicho em 09:51 PM | Comentários (1)

fevereiro 16, 2004

Eu não sei mas ouvi dizer...

Ouvi dizer que o universo nasceu numa explosão enquanto outros dizem que levou sete dias a fazer.
Ouvi ainda que descendemos dos primatas. Já outros juram que somos filho do pecado de Adão e Eva.
Ouvi falar que há quem acredite na Imaculada Concepção e quem ria disso.
Ouvi que há vida noutros planetas, enquanto outros esperam que não.
Ouvi p’raí que há vida para além da morte mas há quem creia que não (qualquer deles sabê-lo-á um dia).
Ouvi que a masturbação provoca cegueira e que o ponto G existe. Outros comparam-no ao Santo Graal: dizem que é apenas um modo de nos pôr malucos à procura.
(Ou)vi que se mata em nome de Deus.
Ouvi que havia quem tivesse armas escondidas e que por isso a guerra valia a pena.
Ouvi que devia lutar pelo que acredito e seria recompensado. Ouvi também que não sonhasse sequer.
Ouvi que há pessoas feitas uma para a outra.
Ouvi…
Ouvi…
Ouvi…
Ouvi tanta coisa que nem sei em que acredite!

O Comandante

Publicado por obicho em 10:59 PM | Comentários (3)

fevereiro 09, 2004

Querer e não p(h)oder

...
"-Querido, se eu te pedisse, batias-me?"
"-Porquê? Não me fizeste nada."
"-Não percebes. Durante o sexo…"
"-Porquê? Gostas?"
"-Sim. Fico… Tu sabes…"
"-Mas… uma palmadinha?"
"-Sim. Ou mais que uma."
"-Mas enquanto?…"
"-Sim, enquanto…"
"-Mas querias mesmo?"
"-Queria. Quero. Quero muito."
"-Mas eu… Não posso! Sabes bem que eu não posso!"
"-E se pudesses?"
"-Mas não posso!"
"-Eu sei que não podes mas, batias-me se tivesses bracinhos?"
"-Sim, acho que sim..."
...

O Comandante

Publicado por obicho em 12:24 AM | Comentários (6)

fevereiro 02, 2004

Protesto

Existem várias FORMAS de adulterar o resultado de uma votação democrática. Tudo depende do TAMANHO da "lata" de cada um...

O Comandante

Publicado por obicho em 04:36 PM | Comentários (3)

janeiro 26, 2004

O botão da Rosa

Ele vivia em plena pubredade. Ela, a Rosa, já tinha vivido uns aninhos a mais. Os suficientes para já parecer adulta, mulher feita. Para um rapaz com mais perguntas que respostas sobre a sua condição de homem, aquela mulher – porque era assim que ele a via – era a resposta a todas as suas dúvidas. Imaginou coisas e viu-se constrangido pela manifestação física que isso lhe provocou. Queria ter a idade e a coragem daqueles que, diziam, tinham a sorte (ou o engenho) de a ter para si.
Naquele dia, pela primeira vez, ele reparou no seu peito. Voluptuoso. Rijo. Tremendamente insinuante. E algo o continha. Quanto mais olhava mais lhe parecia que algo o impedia de resplandecer em todo o seu fulgor. Percebeu que a culpa era dum botão. Daquele último botão que lhe escondia os seios atrás da camisa justa. O único que naquele momento o impedia de ter a visão que o faria feliz. Aquele que não houve maneira de desabotoar. Aquele que, talvez por isso, lhe tenha cravado para sempre Rosa na sua memória.

O Comandante

Publicado por obicho em 01:32 AM | Comentários (4)

janeiro 19, 2004

Aos cirurgiões plásticos, o meu reconhecimento…

Aviso à navegação: este é um post recheado de chauvinismo.

É bonito como o cérebro humano funciona. Quando me falam em equipa de sonho, poderia pensar em futebol, basket ou qualquer outro desporto de equipa. Podia até pensar num conjunto de personalidades de qualquer área da sociedade. Mas não. Acabo sempre a pensar em mulheres. As de sonho? Ou aquelas com que já sonhei? Por uma questão de higiene, vou-me cingir às primeiras.
No topo da lista tenho forçosamente que salientar três nomes ex-aequo: Charlize Theron, Elizabeth Hurley e Monica Bellucci. À primeira só tenho que agradecer por ser quem é. À Beth (prós amigos) os meus sentimentos. O Hugh não a merecia. Da Monica, que eu descobri como Cleópatra, devo dizer que, de facto, tem um belo nariz. Ora como uma equipa de três só se fôr para jogar à bisca, resolvi alargar a lista – a tal recheada de chauvinismo – para outras que, embora em segundo plano, não ficam mal em cima de qualquer psiché. A meu ver, um plantel de luxo:
Angelina Jolie – Para quem já foi feia não está nada mal. Reúne em si tudo o que de lascivo há numa mulher.
Heather Graham – outra prova das maravilhas da cirurgia estética.
Milla Jovovich – Aconselho o visionamento do Regresso à Lagoa Azul com edição reviste e aumentada no 5º Elemento
Luana Piovanni – Todo o Brasil num só corpo
Giselle Bunsen – pronto, tá bem, em dois…
Nicole Kidman – A única ruiva que me desperta a atenção
Halle Barry – Marchavas!!
Penelope Cruz – Olé!
Cameron Diaz – Aquele vestido vermelho com que ela (pela primeira vez) se atravessou à minha frente… (a minha woman in red – private joke)
Ana Claudia Talancon - A Amelinha do padre Amaro (deixem-na crescer e depois telefonem-me)
Kathleen Robertson - Last but not least a cabra sedutora. E que bem que fica de cabedal justo. E embora não seja adepto da palmadinha...
Aqui está a minha equipa de sonho. A táctica? Ataquem-me. Ataquem-me como se se não houvesse amanhã. Vá que eu deixo…
As portuguesas ficam para outra altura. Pero que las hay las hay…

Post scriptum – Algo me diz que a abordagem esta semana vai ser semelhante, obviamente, com uma ou duas mentes divergentes. Venham de lá elas que a minha imaginação anda por baixo.

O Comandante

Publicado por obicho em 01:20 AM | Comentários (4)

janeiro 12, 2004

Histórias da Carochinha

É oficial: perdi a inocência. ...e a vergonha. ...e a decência (e, por esta altura, alguns amigos também). e não me refiro aos três vinténs (moeda que actualmente não possui qualquer valor comercial), mas sim aquele modo de ver o mundo próprio duma criança, onde não há lugar a coisas tão abjectas como a ironia, hipocrisia ou maldade.
Foi consciente desta minha condição que empreendi uma reflecção em torno do imaginário infantil da minha geração, dos desenhos animados, contos de fadas e personagens afins que povoam a nossa memória. Hoje e sempre.
A perda desse modo imaculado de olhar o mundo fez com que, í­cones então sagrados, se tornem, fruto duma nova contextualização, em objectos de escárnio longe, muito longe, dos exemplos que outrora foram. Senão atente-se: já não bastava sermos obrigados, qual trovador, a cantar versos Bocagianos sobre a aventura sexual do Calimero com a Abelha Maia (essa puta!), como ainda envolvemos a Branca de Neve, uma gaja que vivia com sete(!) gajos deficientes, numa escaldante aventura com o Pinóquio (esse boneco de pau feito, raiz etimológica da palavra "pinocada") em que ela, meretriz intrépida, dominatrix furiosa, lhe ordena sentando-se sobre o seu nariz "Mente, Pinóquio, mente!". E ainda querem convencer-me que a senhora se satisfez com um só beijo?!
E os Estrumpfes? Esses tipinhos azuis. Uma mulher para toda uma aldeia só de homens!? Sou só eu ou isto soa a serviço comunitário? Para já não falar do mais clássico e famoso caso de gerontofilia, provavelmente, o primeiro com que as nossas crianças foram e continuam a ser confrontadas. Falo do Lobo Mau que comeu a avozinha, pois claro.
Podia ficar aqui toda a noite a citar outros exemplos: a Heidi, o Pequeno Pónei (juntos ou em separado), a Barbie e o Ken, esse par de personagens andróginas e assexuadas, a Porcalhontas (juro, isto é mais forte do que eu!) ou esse í­cone da literatura infantil a "Anita e o Cavalinho". Vou, no entanto, dar um salto para os verdes anos em que os super-heróis, símbolo da verdadeira masculinidade, tomaram o lugar aqui em destaque.
Passámos então a idolatrar homens musculados de parcas e justas vestes, de lycra ou cabedal, de cores berrantes (nada de folhos, porém, que isso é coisa de bicha!). Pensávamos nós, inocentemente, lá está, que gostarí­amos de ser assim. Pois bem, veja-se uma das últimas incursões do Batman na sétima arte (atenção: não confundir com Bate-me Man): que necessidade havia de apresentar o gajo de mamilos túrgidos sob aqule fato de cabedal justo? Não satisfeitos, arranjaram-lhe um companheiro, igualmente túrgido, artista de circo e com nome de passarinho. O raio do filme mais parece a versão gay da Marvel para a história da vida recente da princesa Stephanie do Mónaco.
Depois de tudo isto só posso chegar a uma conclusão. Que para a nossa geração, chegar a adulto com a saúde mental incólume depois de sermos bombardeados durante anos com tais indecorosas situações, é uma inquestionável vitória. ...Ok, pelo menos, para alguns de nós. ...Ok, para alguns de vós.

O Comandante

Publicado por obicho em 10:41 AM | Comentários (1)

janeiro 05, 2004

ISTO DE SUBVERTER TEMAS ESTÁ A TORNAR-SE UM HÁBITO

Uma coisa que nunca percebi: Se é o lado direito do cérebro que manda no lado esquerdo do corpo, será o esquerdo que “O” manda endireitar?

(piada/dúvida seca e infeliz de responsabilidade única do autor que terá afirmado já lavado em lágrimas de arrependimento: “vergastem-me, por favor!”)

O Comandante

Publicado por obicho em 12:37 AM | Comentários (0)

dezembro 29, 2003

AND THE OSCAR GOES TO...

Helicobacter pylori. A puta da bactéria que me está alojada no estômago. No meu e no de milhões de portugueses. Pessoalmente, a puta (como gosto carinhosamente de lhe chamar), em sintonia com uma malfadada hérnia do hiato, dá-me para grandes incómodos quando se lembra de acordar. Em alturas de stress em que os sucos gástricos andam lá por cima, nem vos digo nada. Fico que nem posso. Mais ou menos como agora… Possivelmente, nem tem nada a ver, mas eu prefiro ter alguém em quem imputar as culpas. A puta!…
Ainda por cima, à custa dela, enfiaram-me um tubo pela garganta abaixo. Enfim, segundo a visão optimista da coisa, teria sido pior se me tivessem enfiado um tubo pelo cu acima. Embora haja quem goste, eu passo…
Morte à gaja!!!

O Comandante

Publicado por obicho em 01:01 PM | Comentários (3)

dezembro 22, 2003

CONVERSA COM UM CABRÃO INSENSÍVEL


- Mas, porque gostas dela?
- Sei lá… Gosto… do cheiro dela.
- Do perfume?
- Não, não. Do cheiro.
- Como assim, “do cheiro”?
- Sim, do cheiro dela. Da pele. Já alguma vez cheiraste uma mulher? E não o digo numa perspectiva superficial. Digo se realmente sentiste as subtilezas do odor que lhe emana do corpo.
- Que queres dizer? O hálito matinal? O cheiro do suor depois de foder?
- Não. Quanto muito o cheiro da transpiração depois de fazer amor. Esse sim, enche-te. Foder, como tu dizes, esvazia-te. Mas não é aí que eu quero chegar. Experimenta a cheirar e a fazer disso uma verdadeira “degustação” olfactiva. Cheira-a no pescoço. Verás como é diferente nos seios, na barriga, nas pernas...
- E é por isso que gostas dela?
- Se tu verdadeiramente amares uma pessoa, viverás com o seu cheiro entranhado na pele. Esse será o teu cheiro. Aquele que te acalma, te faz feliz. Sim, se gosto do cheiro dela, amo-a.
- Estás pior…
- Talvez… mas feliz!

O Comandante

Publicado por obicho em 02:07 AM | Comentários (5)

dezembro 15, 2003

DICAS AO POLÍGAMO DESPREVENIDO

Poderia agora dar início ao desfile de um conjunto de considerações culturais e religiosas acerca do tema da semana. Poderia até culpar os gajos do Concílio de Trento que no séc. XVI nos resolveram (nós, sociedade ocidental de fundações cristãs) acabar com a impunidade de ter mais que uma mulher em simultâneo. Em relação a isto, as opiniões divergem. Há quem diga que com isso se poupou muita dor de cabeça. Eu, por mim, apesar da monogamia a que devotei depois de uma muito má experiência – a única - vivida há muitos, muitos anos atrás, devo expressar publicamente a minha admiração pelos homens e mulheres que a praticam. Mais que arte, a poligamia devia ser elevada ao estatuto de desporto de alta competição. A disponibilidade física e mental que comporta justifica, mais que isso, o reconhecimento do Comité Olímpico Internacional como modalidade olímpica.
A destreza de conjugar múltiplos casamentos/namoros/uniões/affaires em simultâneo exige uma enorme e minunciosa visão estratégica, uma verdadeira táctica de jogo. O planeamento a curto, médio e longo prazo, fundamental. Não podem ser descurados quaisquer aspectos. Da vertente física, à higiene, da planificação espacio-temporal, à saúde (física e mental).
No que toca ao primeiro aspecto acima mencionado, parece óbvio que, independentemente do número de parceiras(os) envolvidas(os), o desempenho físico é fundamental. O perigo de uma má gestão ou de acontecerem imprevistos implica que o (a) protagonista esteja em perfeitas condições físicas que vão desde o rendimento propriamente dito ao devido controle rigoroso, no caso dos homens, do período refractário. Falhas por esgotamento não são admissíveis.
Por sua vez, a higiene é, obviamente e tal como os outros, factor de primeira linha. O cuidado com odores ou quaisquer outros vestígios de outras relações são mal toleradas pelas concorrentes e rapidamente denunciam um não tão bom atleta. Cabelos, pelos púbicos e odores seminais deverão ser alvo de extinção através de rotinas de higiene tão rigorosas quanto facilmente adquiridas. Pelo sim, pelo não aconselha-se uma lavagem regular da boca.
A planificação espacio-temporal é, talvez, a vertente mais exigente neste desporto. Quanto maior for o número de jogadores(as), mais complexa se torna a articulação das actividades entre os(as) vários(as) envolvidos(as). O sucesso depende de uma disposição eficiente ao longo do tempo e do espaço de modo a que não se encontrem mais que dois participantes de cada vez no campo de batalha. Uma das coisas que tornam este desporto aliciante é o facto de poderem acontecer, por mútuo acordo, encontros ocasionais de vários jogadores em simultâneo. Grandes desempenhos se conseguem nestas condições. Mas quando estes encontros resultam do acaso, de falta de cuidado, o jogo pode estar definitivamente comprometido e a época de treino poderá ter de recomeçar. Isto para o atleta de alta competição é um contratempo que não se compadece com a duração da sua vida desportiva.
Por último, a saúde nas suas vertentes física e mental condiciona os concorrentes e o seu sucesso. Fisicamente, os intervenientes do espectáculo terão que estar em perfeitas condições de saúde. Uma qualquer maleita, por pequena que seja, pode denunciar o artista. A simultaneidade e a frequência, quando em maior número, pode acarretar consequências físicas para o polígamo. Nestes casos, é aconselhável o uso permanente de um qualquer creme hidratante sem cheiro que previna as assaduras e outros problemas dermatológicos decorrentes de fricção excessiva. Em casos mais graves, o recurso a Halibut, Lauroderme ou semelhante pode ser necessário. Na vida, como no desporto, a prevenção é a solução. Por sua vez, a destreza intelectual exigida e os processos mentais tão complexos que a saúde mental tem que esta em perfeitas condições. Trocas de nomes e fugas de informação desnecessárias dão direito a pontos de penalização.
Como facilmente poderão aferir, qualquer destes aspectos se encontra intimamente ligado com os outros e não os podemos ver em separado. Da sua correcta articulação depende o sucesso. Outros haverá que aqui não foram expostos mas cuja descoberta e exploração ficarão a cargo do leitor interessado no tema.
Cuidado…

O Comandante

Publicado por obicho em 03:40 PM | Comentários (5)

dezembro 08, 2003

MUSAS! ONDE PARAM VOCÊS?

Desta vez, fruto de um conjunto de circunstâncias que me perturbam a concentração, a escrita foi verdadeiramente improdutiva. A obrigação a que me propus – a de alimentar o Bicho à segunda feira – não se compadece com estados de alma. Deste modo, o melhor que consegui fazer foram as linhas que vos deixo a título de rascunho. Assim sendo, aqui ficam as várias tentativas para escrever sobre o tema. Qualquer coisa assim como vários coitus interruptus
O tema lançado pelo Crazy foi "o Emplastro (aka Animal), figura televisiva, etc, etc...". Cá vai!

O Animal - Take 1
(abordagem estilo National Geographic meets Ponto de Encontro)
Desconhece-se se o Bicho e o Animal têm algum tipo de afinidade. Espera-se que não. O Animal não merece tal sina.
O pai opta manter-se à distância. Jorge Nuno de seu nome não o quer por perto.
Desconhecem-se os seus hábitos. É frequentemenete avistado em locais onde existam câmaras de televisão. Hábitos alimentares desconhecem-se. A sua afinidade por figuras públicas…etc, etc…

O Animal - Take 2
(esta tentativa foi um nado morto.)
Sei quem ele é
Ele é bom rapaz
Um pouco tímido até…
(morreu aqui)

O Animal - Take 3
(o prenúncio da desgraça…)
Confesso que, desta vez, sinto uma falta de inspiração enorme. Um tipo desdentado, com um sinal tamanho de uma popia na cara, sem os incisivos, com um fetiche por câmaras de filmar e figuras públicas e que afirma que o Pinto da Costa é o seu progenitor, não me desperta a veia literária.

O Animal - Take 4
(tão apenas e só mais uma tentativa)
O Animal, como carinhosamente lhe chamam, transformou as reportagens televisivas numa espécie de “onde pára o Wally” mediático.

O Animal - Take 5
(com esta nem eu onde queria ir)
Onde eu gostava de ver o emplastro:
Na Assembleia da República

Onde não o gostava de o ver
Na televisão
Em todo o lado

O Animal - Take 6
(É o meu take preferido. Aquele onde eu gostava que falassem de mim. E sim, eu sei que a inveja é pecado)
Digam o que disserem, faça ele o que fizer, terei inveja dele para o resto dos meus dias. Se eu me agarrasse à Mariza Cruz como ele o fez e se a tivesse beijado com aquele vigor, por esta altura, estaria a recuperar de traumatismos múltiplos e tomar as refeições por uma palinha derivado do tratamento aplicado por um qualquer daqueles símios que guardam uma das melhores partes das modelos: as costas.

Pois bem, para que existe ele? Para que existo eu?
Desculpem qualquer coisinha.

O Comandante

Publicado por obicho em 12:46 AM | Comentários (1)

dezembro 01, 2003

SUSHI

Coube-me a mim a honra de desflorar o Bicho. Mas se pensam que lá por isso vou ser meigo, desenganem-se. De frágil donzela, este camafeu não tem nada!

Queria compartilhar com a bicheza uma recordação que guardo religiosamente e à qual recorro sempre que a fome aperta. Um jantar… Daqueles que jamais me esquecerei enquanto o coração não meter os papéis para a reforma.
Reza então a história que eu, jovem adulto vigoroso em idade de perpetuar a espécie, quando por razões profissionais tive que me deslocar ao Japão, fui convidado para jantar. Uma daquelas típicas e normais recepções enraizadas na cultura nipónica que tanto se orgulha de saber acolher as visitas. Pensava eu…
Entrámos num restaurante bastante acolhedor mas sofisticado a um nível que temi pelo meu saldo bancário. O nome? Impronunciável… Enfim, lá fomos conduzidos a um cubículo onde, seguindo os preceitos culturais daquelas paragens, nos descalçámos e sentámos no chão à espera do que viria a seguir. Sushi pareceu-me indicado. O verdadeiro. Daquelas experiências que por mais franchising que exista, só se aprecia verdadeiramente no local de origem. Curioso, curioso, era o prato em que a iguaria veio servida. Comer peixe cru com pauzinhos pode não ser para muitos uma experiência desejada mas, confiem em mim, se vos fosse servido tal como o foi a mim, sobre a pele de uma jovem torneada e apresentada tal como a Eva o foi ao Adão, rapidamente poriam esse tipo de receios para trás das costas! Foi complicado vencer o choque do impacto. O peixe lá se mamou mas a erecção só foi vencida a colheradas de uma massa verde tão intragável quanto picante e utilizada por eles em pequenas quantidades para auxiliar a digestão e polir metais.
Não resisti a pedir sobremesa. Um qualquer gelado. Comi, impávido mas não sereno. Depois fui convidado a sair e severamente espancado. Disseram-me a posteriori que lamber o prato não era de bom tom…
Saí sem pagar. De qualquer modo, não o pensava fazer. Contava ficar a lavar pratos…

Há sonhos que, por serem difíceis de realizar, mais vale a pena pensarmos neles no pretérito, como se fossem reais. A minha mãezinha diz que é por estas e por outras que o médico me obriga a tomar todos aqueles comprimidos.

Mas estes restaurantes existem, meus amigos, existem…

Doeu?

O Comandante

Publicado por obicho em 01:04 PM | Comentários (2)