maio 13, 2004

Desabafo de um Homem

Deixo aqui as minhas desculpas pela minha falha da passada semana, no entanto, tentarei colmatar essa falha com um texto 2 em 1, quer isto dizer, um texto que se enquadra em "A Tradição", mas também em "A Guerra dos Sexos". Dois temas de uma só cajadada...

Assim o recebi por email. Assim o transcrevo e partilho:

«Meus amigos, pensei um bocado na vida e é triste... simplesmente triste...
Um gajo dantes chegava a casa do trabalho e a mulher vinha cumprimentar, seguida do cão, aos pulos, contente e satisfeito por o dono estar de volta.
Dava-se um xoxo, perguntava-se como correra o dia... essas merdas!

Depois um gajo abancava no sofá da sala, ligava a televisão no programa desportivo ou nas notícias enquanto a sua esposa na cozinha preparava o
jantar. Acabado que era, ela chamava o gajo para a mesa, baixinho para não interferir com a informação. Um tipo jantava, um belo dum entrecosto grelhado e de vez em quando passava a mão pela febra, descobrindo as meias de ligas e a lingerie rendada que ela pusera para o agradar.

Cafézinho servido e um balão de conhaque acamavam a refeição, enquanto na TV passava um filme de suspense.

Entretanto a mulher dedicada ia trocar de roupa para levantar a mesa e passava de avental por cima do body decotado e correspondente cinto de ligas, desfilando enquanto fazia as lides domésticas.

Um gajo entretanto mandava-a para a cama, aquecer o leito, enquanto ia à casa de banho dar um retoque na higiene.

Na cama, a esposa fazia uma massagem ao seu marido trabalhador e depois, se ele assim o entendesse, faziam amor, após o que ele dormia um sono descansado, apenas para acordar no dia seguinte com um beijo de bons-dias acompanhado do pequeno almoço.

E hoje? Hoje não há nada disto...

Hoje em dia um tipo chega a casa e a gaja não está porque teve uma puta duma reunião até mais tarde... Foda-se, mas p’ra que é que ela trabalha?
Depois um gajo não pode ter cão porque a porra da associação de condóminos acha que o bicho mija nas escadas. Foda-se, quem é que traz os chinelos? ELES? Caralho pá...

Como não há gaja, um tipo vai ali à Frangolândia da esquina buscar uma porra duma merda cheia de nitrofuranos p’ra debicar. Chega a casa vai p’rá sala, senta-se e pimba, eis que entra a gaja, cheia de pressa, saca uma coxa da ave, o pacote de batatas fritas que um gajo teve meia hora p’ra escolher e abanca alegremente no sofá mais confortável com o comando da TV na mão.

Faz perguntas de retórica do tipo "Tão? Tásse? Correu bem?" e o pior é que responde logo a seguir: "Fixe pá. Baril. Cool. Agora péra aí!"

"Péra aí!"... sabem p’ra quê? Para desatar a fazer um zapping pelos N canais da TVCabo em busca de telenovelas mexicanas e programas da tanga.
Foda-se, não há pachorra!

Fica um tipo sem a coxa do frango, sem batatas, sem TV...

Bem, um gajo vai á casa de banho naquela de cuidar da higiene e caralho pá... aquela merda tá cheia de frasquinhos cor de rosa com uns nomes ilegíveis... mas p’ra que é que a gaja quer tanto frasco caralho??
IRRA!!!!

É melhor ir p’rá cama... Um gajo deita-se, cansado e farto daquela merda, quer dormir, e ASSIM QUE ADORMECE, eis que chega a filhadeputa, atirada p’ra cima da cama assim à bruta já toda nua, sem um pingo de lingerie provocante, destapa um gajo, mete-lhe a cona na boca, grita "-Lambe!", fode um gajo todo violentamente e no fim vem-se umas 15 vezes sem sequer um tipo atingir o orgasmo... No fim, ainda tem a puta da lata de pedir ao gajo p’ra lhe chegar um cigarrinho e uma garrafinha de água que, claro, estão espalhados pela casa...

Um gajo até é um querido e quê, vai buscar essas merdas e quando chega já a gaja dorme, ressonando que nem um cavalo, só para acordar no dia seguinte, dar uma cotovelada no lombo dum gajo dizendo: "-Oi amor... vai lá buscar pão p’rá gente tomar o pequeno almoço..."

Foda-se, já não há carinho!
Onde está o amor que unia os nossos pais?
Onde está o respeito e a cena familiar?
Onde estão os preliminares, caralho??»

Assim está a Tradição que já não é o que era.
E quanto a Guerra dos Sexos, essa está quase perdida.

Biqsi

Publicado por obicho em 12:35 AM | Comentários (4)

abril 30, 2004

Sentido

Sentido? Estás sentido?
Põe-te mas é de bem com a vida, deixa lá esse sentimento de todos te devem e ninguém te paga.
O 6º? Então já devias era ter aprendido a não amarrar o burro.
Tenho dito,
Biqsi

O quê? Não era este tipo de sentido? Bem que estava com um feeling...

Publicado por obicho em 12:46 PM | Comentários (1)

abril 22, 2004

A minha vizinha do lado...

...é uma vizinha exemplar.
Tem sempre a máxima paciência quando lhe peço ajuda para algumas tarefas e nunca hesita em tocar-me (à campainha) quando acha que lhe posso ser útil.
Não se importa que eu faça barulho e quando há festa junta-se a nós.
Conhece os melhores locais onde correr ou fazer BTT, adora desporto e talvez seja por isso que não tem problemas de gordurinhas. Tudo lhe fica bem. De vestido, calças ou fato-de-banho, não há quem lhe aponte defeito. Eu no entanto prefiro de T-Shirt.
Vários são os machos latinos que lhe assobiam, sempre que estamos a mordiscar um gelado na gelataria da nossa rua. Nestas alturas ela pede-me sempre que a ajude e que represente o papel de namorado. Outras vezes, quando tem paciência para isso, é ela própria a deixar os machos de rastos...
A mensagem costuma ser clara, curta e eficaz, como desta vez em que a fotografei:

A minha vizinha do lado tem imensas amigas, que aparecem frequentemente para um chá ou uma conversa de peito. Por vezes a conversa é demorada e acabam mesmo por ficar a passar a noite. Aí costumam convidar-me para ver filmes de terror e comer pipocas – dizem que assim não têm tanto medo.
A minha vizinha gosta de caminhar nua pela casa. As amigas da minha vizinha também. A minha vizinha do lado não gosta de cortinados – diz que acumulam muitos ácaros.
A minha vizinha do lado é massagista de recuperação muscular... aaaaahhhh tããããoooo booommmmm!!!!!

- Trrriiimmm, trrriiimmm –
Olha é a minha vizinha do lado que me chama.
Ela combinou, com as amigas, uma sessão de strip-poker para hoje.
E eu fui convidado.

Vão-me desculpar mas fico por aqui
Biqsi

PS: já me esquecia, a minha vizinha do lado é bi-sexual e as amigas dela também.

Publicado por obicho em 03:11 PM | Comentários (6)

abril 15, 2004

Os Magos do nosso Séc.

Serão, de toda a geração Rasca, os que aceitarem o desafio de lutar e modificar o Portugal de hoje que é senão o Portugal de ontem.
Os que de apelidados de Rasca (no final da sua adolescência) mostrarão, por efeito da sua preserverância e competência, o caminho do Portugal de amanhã e que ainda virão a ser chamados de Bases de Excelência de um país em renovação, reinvenção, restruturação e inegável crescimento!
Os pais deste Bicho, ainda que tangencialmente, fazem parte dessa geração, o que me apraz dizer que...

Também NÓS poderemos vir a ser alguns dos Magos do Século XXI.
(dependendo, é claro, do nosso livre-arbitrio e força de vontade)

Biqsi

Publicado por obicho em 11:33 PM | Comentários (0)

abril 08, 2004

Arte da Guerra (e do Amor?)

Princípios de Guerra (e de Amor?)

1 - SIMPLICIDADE
O princípio de guerra da simplicidade está ligado à preparação das ordens e dos planos.
O melhor plano é aquele que, em todos os níveis de decisão, quer do planeamento, quer da execução, evidencia concepções claras e facilmente entendidas.
A simplicidade reduz a possibilidade de equívocos na sua compreensão e facilita as correções necessárias durante o combate.
Ex: Fodes? Fodo.
Ex: O meu pai fez uma guerra eu também faço (e o Saddam é que se lixou)

2 - SURPRESA
A surpresa consiste em golpear o inimigo em local, hora ou de uma forma para a qual ele não esteja esperando. Ou, tendo descoberto o seu plano, não tenha tempo útil para reagir. A surpresa altera o equilíbrio das forças em combate.
A surpresa poderá ser obtida por meio da originalidade, da audácia nas acções, da velocidade da execução, do sigilo, do despiste e da dissimulação de intenções.
Na guerra moderna, a surpresa pode ser obtida nos níveis estratégico, tático e tecnológico.
Ex: Ãããhh, ãããhh, ãããhh -toca o telemóvel- Está? Querida? Sim estou no escritório. O quê? O GPS do meu telemóvel diz que estou na casa da praia?
Ex: -encontrão na mala da secretária do chefe- O que é que deixaste cair? Ah, são as tuas chaves? É melhor apanhares já, se não esqueces-te. Pois é! (pensamento=ai essa mini-saia a subir... ai esse decote a descer...)
Ex: Ai, ai, aaiiiii! Mas o que foi, onde te doi? Aqui na ponta da Piroca... (sem comentários! Dahaahh, dissimulação?)

Biqsi
PS: Queriam mais? Tudo de mão beijada não?

Publicado por obicho em 01:42 PM | Comentários (1)

abril 01, 2004

So shall be written, so shall be done

O Bicho deverá.... terá... impingirá... matracará... achincalhará... denunciará... envergonhará... cuspirá... regurgitará... gregoriará... bufará... indicará... será... influenciará... arquitectará... engenhará... economizará... geologiará... informatizará... derrocará... fartará... desejará... sugerirá... apalpará... apontará... ilustrará... transformará... cantará... chorará... lamentará... sonhará... stressará... tramoniará... encontrará... esgalhará... explodirá... envenenará... encabeçará... babará... roncará... comerá... enjeitará... chulará... putificará... viciará... violará... enrabará... sorrirá... amaldiçoará... contagiará... aparvalhará... pouco se aproveitará... lido até à exaustão será... dependência criará... e nunca morrerá!

Assim se escreveu e assim deverá ser feito.
(não dispensa a consulta de folheto informativo)

Folheto informativo:
O Bicho é de prescrição livre mas obrigatória, é distribuído de forma gratuita, obtendo-se em qualquer computador e tem o mesmo efeito que a visão matinal de umas calças de cintura descaída em conjunto com umas cuequinhas de fio dental pronunciado, no corpinho da Isabel Figueiras! Ahh Isabel...
(As Bicho-dependentes, que também as há, que me desculpem mas podem ir imaginando o Rodrigo Santoro sem a minha ajuda)

Biqsi

Publicado por obicho em 06:06 PM | Comentários (5)

março 25, 2004

Mas haverá dúvidas?

Hipótese: Vida depois da morte?

Demonstração 1:
Já viram uma esposa deixar de viver só porque o marido bateu a bota?
Alguma equipa deixa de jogar se um jogador morrer?
Algum governo termina por um ministro ter uma sulipampa?
A morte de alguém neste mundo impede a continuação vitalícia do restante mundo?
Corolário 1: Não me parece. Logo há vida depois da morte.

Demonstração 2:
Com a morte termina tudo? O que se fez por cá, desaparece? As histórias não se contam? Os livros não se estudam (E=m.c2)? As obras não se apreciam (Torre Eiffel)? Os nomes e pessoas não se recordam (Vasco da Gama)?
Corolário 2: Afinal o homem parte mas a obra fica. Logo há vida depois da morte.

Demonstração 3:
As diversas religiões andam todas à bulha, mas no que toca a vida depois da morte não são concensuais? E os Egípcios, por exemplo, que se preparavam desde cedo para o trajecto vida-morte-vida, não o conseguiram? Não têm uma boa vida a serem admirados por milhões de pessoas em vitrines de mudeu, sem terem de fazer nenhum, nos seus fatos de gaze?(quer dizer alguns ainda continuam à espera debaixo da areia...)
Corolário 3: Quem vai para o mar avia-se em terra. Preparem a vossa mumificação o quanto antes, pois há vida depois da morte.

Demonstração 4:
Jesus Cristo disse "Lázaro levanta-te e caminha." e o que aconteceu? Lázaro levantou-se, caminhou e retomou as actividades habituais.
Corolário 4: Com o incentivo correcto não há caixão que nos agarre. Logo há vida depois da morte.

Conclusão:
Claro que há, onde está a questão?

Biqsi
PS: Num espaço mais restrito e com um ambiente mais apropriado a discussão seria outra, mas nestas condições... ficamos por aqui.
PS 2: Já viram o Gothika? E o The Ring?

Publicado por obicho em 11:13 PM | Comentários (2)

março 18, 2004

Gaivotas

Onde estás Fernão Capelo?
Ensina-me a ser como tu!

Biqsi

Publicado por obicho em 11:23 PM | Comentários (2)

março 11, 2004

Carpir o dia

Dou-me a liberdade de alterar por completo o significado das duas palavras Carpe Diem em solidariedade para com a España, para com os Madrileños, para com as famílias tocadas pela tragédia e acima de tudo para com todos os feridos e mortos, resultantes de mais uma desmonstração do mais refinado poder irrascível de quem julga poder submeter a vontade de outrém através do Terror.
As minhas condolências e apoio a todos!

Termino de imediato com uma pequena chamada à consciência de cada um:
Se amanhã se deparassem com a morte eminente, qual seria o balanço da vossa vida? Quantos sonhos ficariam por realizar e promessas por cumprir?

Aproveitar o tempo, enquanto é tempo, é uma arte à mão de todos...
...mas desprezada pela maioria.

Biqsi

Publicado por obicho em 12:59 AM | Comentários (4)

março 04, 2004

Aprender para viver

Abrimos os olhos e depara-se perante nós um novo mundo.
Começa aqui a aprendizagem de uma vida. Uma vida por desvendar, uma vida por viver.
Não percebendo os grunhidos e guinchos que toda a gente e objectos largam à nossa volta, não temos outra opção que não seja a de observar tudo e todos, para tentar perceber qual o significado de tantas manifestações à nossa volta. Desenvolvemos a aprendizagem por observação.

Aprende-se a comer, a falar, a andar e depois... “Não vás para aí!”, “Não mexas nisso”, “Olha que podes cair”, bloqueiam-nos os sentidos. A perspectiva perante o mundo altera-se para o chamado Universo Fechado. Desenham-se circunferências à volta de cada situação que é analisada dentro das suas próprias barreiras, auto-limitando, à partida e inconscientemente, a capacidade de olhar e resolver de uma forma inovadora.

Um pouco mais velhos, desprezamos por vezes os ensinamentos dos outros e resolvemos aprender por nós próprios. Desenvolvemos o método de aprender por tentativa e erro, o que leva mais tempo e dá mais trabalho, mas que costuma ter resultados que tendem a ser mais facilmente recordados.

Escolas e cursos à parte, o Q.I. sempre foi Rei e Sr, no mundo da selecção e recrutamento. Interessava descobrir os grandes cérebros. Hoje já não é assim. O Q.I. foi destronado pelo Q.E. (E de Emocional).
As organizações vivem em mudança e adaptação constante às regras do mercado e da concorrência, reformulando processos, departamento e funções e são necessárias pessoas que consigam lidar facilmente com este ambiente de mudança permanente e que, derivado da sua melhor percepção emocional, interpretem os sinais dos outros evitando e transpondo conflitos e desentendimentos.

Ainda hoje ouvi dizer que “Só as estátuas é que não mudam e todos sabemos o que os pombos lhe fazem em cima”. Quando chega à nossa vez, ou mudamos por iniciativa própria, ou acabaremos por ser mudados a toque de biqueirada e só quem estiver disposto e mentalmente preparado para continuar a aprender consegue superar as barreiras iniciais da nova realidade.

Se está provado que o Aprender começa na barriga da mãe, porque é que, quando de lá se sai, se tem pressa em deixar de o fazer? O comodismo sabe bem, mas a burrice é simplesmente fatal.

O que de melhor se pode aprender é mesmo a... aprender!

Biqsi

Publicado por obicho em 09:50 PM | Comentários (0)

fevereiro 26, 2004

Superstição: sim, não ou talvez

No decorrer das nossas vidas, todos nós já fomos inquiridos directa ou indirectamente relativamente à nossa forma de encarar aquilo a que se acordou designar de superstições. Pelo menos todos teremos alguma pensado no assunto, mesmo que fosse só por alguém estar na TV a afirmar que é ou não é supersticioso. De igual forma, todos teremos chegado a alguma conclusão, isto é, se o gato preto incomoda, ou se passar por debaixo de um escadote é igual a atar os cordões.
Pelo que aqui se tem escrito durante a semana, podemos, desde logo apercebermo-nos das várias atitudes que o tema gera: “Não sou supersticioso”, “Será que sou supersticioso” ou ainda “Não me interessa se sou supersticioso” são algumas posições que os meus colegas de escrita adoptaram.

Na verdade, a ciência tem vindo a roubar os focos de iluminação (evitei escrever spotlight pois já fui acusado de inglesismos) que outrora pertenceram a sectores como a Superstição ou até mesmo à religião. Da origem e razão de ser dos fenómenos naturais, há muito desbravadas pelos cientistas, até aos avanços diários na descoberta e explicação de tudo o que nos rodeiam ou mesmo nos constitui, muito se desvendou aos olhos do homem comum, libertando-o de incógnitas e tornando o inexplicável em conhecimento banal.

Por outro lado, a vida como a vivemos nós hoje, numa sociedade da informação em velocidade fastforward, não deixa grande espaço à Superstição. Já não se passam os serões a ouvir as histórias do antigamente em redor da lareira, num ambiente de semi-obscuridade garantido pela inexistência de energia eléctrica, nem muito menos se tem tempo para se ficar a magicar no porquê de tudo o que por nós passa no decorrer do dia-a-dia, na nossa influência sobre os acontecimentos e consequentemente no que se fez de mal para que, aparentemente sem razão, o azeite se tenha entornado, e o leite tenha azedado.

No entanto, a ciência nem tudo explica e banaliza e assuntos como a Sorte, o Azar e o Destino (por si só merecedores de uma semana de dissertações e opiniões) continuam a ser capazes de fazer pespontar o bichinho da incerteza, incerteza essa que leva, normalmente, a um sentido/estado de alerta e observação (os nossos instintos animais ainda não desapareceram de todo), que por seu lado conduz à procura de padrões de comportamentos ou de sucessões de acontecimentos que possam influenciar ou até mesmo conduzir a determinado resultado. Escusado será dizer que daqui às conjecturas supersticiosas vai, por vezes, um piscar de olhos.
A diferença é que estes temas (não sei se me atrevo a dizer ainda) apresentam duas lacunas perante a psicologia e o raciocínio humanos: a perturbadora ausência de explicação para estes e a desconcertante falta de controlo sobre os mesmos.

O Ser Humano não sabe lidar com o inexplicável e muito menos com o incontrolável, pelo que, perante a manifestação destas características, acaba por arranjar escapatórias minimamente satisfatórias, que lhe sirvam de refúgio e que lhe permitam lidar com a realidade.

Uns evitam por completo as superstições, de tal forma que acabam por viver subjugados à própria superstição de evitar as superstições, outros, para não se confrontarem com uma escolha e sempre numa de prevenção, tomam uma atitude de “não acredito, mas que as há, há!” e outros há que respondem afirmativamente e sem rodeios à pergunta.

Expressões como “O destino não existe, somos nós que o fazemos.” ou “A sorte e o azar não existem, são psicológicos.” (como o frio), confundem-se com outras de “Boa sorte!” e “Oxalá isto aconteça!”.
Diz-se que “De sábio e de louco, todos têm um pouco”.
Pois eu diria que por muito racional que se seja (ou se queira ser), de supersticioso sempre se terá um quinhão!

Na minha opinião, só quem viver sem nada esperar do amanhã, sem nada querer nem sonhar, em perfeita harmonia com o que tem e com tudo o que a vida lhe possa trazer ou provocar (um misto de paz de alma com encostado à bananeira e conformado por natureza), poderá ser não supersticioso, pois terá reduzido quase à nulidade a sua necessidade de explicação e de controlo sobre o que o rodeia e preenche a sua vivência. No entanto nunca se iria afirmar como tal, porque isso não teria a mínima importância, na sua existência perfeita na ausência de quaisquer problemas ou questões.

Biqsi
PS: Apesar de aliciante, evitei propositadamente de me referir à religião em quase todo o texto, por se tratar de pano para mangas!
PS2: Disse Religião e não Igreja.

Publicado por obicho em 08:26 PM | Comentários (7)

fevereiro 19, 2004

Ouvi dizer que

Ouvi dizer que hoje é 5ª feira, o dia da semana em que eu escrevo e alimento uma das cabeças do Bicho.
Pois bem, não sei como vos diga mas, na realidade, ouve-se dizer, por aí, muitas coisas que nem por isso se deveriam ouvir. Umas por não passarem de um diz-se que, fruto da imaginação de alguém desocupado e à procura de passatempos, outras por serem desprovidas de quaisquer sinais de inteligência por quem as diz.

O povo português sempre foi especialista nesta arte de passagem de informação boca-a-orelha-a-boca-a-orelha-... Talvez a falta de argumentos e factos reais de uma sociedade que vive da aparência e de um país cujo desempenho apresenta a consistência de um suflé (pronto a encolher a qualquer momento) façam com que a população utilize estes métodos para embelezar, ou mesmo preencher, os seus dias e o seu desejo de novidade, de acontecimentos, de glamour e de importância!

Costuma-se ouvir dizer que “Quem não sabe, inventa” e no nosso país essa é, das regras instituídas, uma das que maior número de seguidores tem. (O modus operandi português de constante desenrasque, não deixa espaço à consolidação de conhecimentos).
Eu entendo que o Espirito Santo de Orelha seja imprescindível à vida das nossas típicas e pitorescas aldeias, espraiadas por montes e valados, por vezes sem o mínimo contacto com o mundo real, mas daí à, também vital, necessidade da maioria da população em saber o que por aí se ouve dizer dos pressupostamente famosos deste cantinho de terra à beira do oceano, vai um grande passo. Um passo de vários km’s de escrita cor-de-rosa, cujos proveitos alimentam inúmeras revistas e muitos mais auto-intitulados jornalistas de índice negativo de realização profissional.

Também já ouvi dizer que cada um acredita no que quiser, o que remete a questão para todos nós, isto é, a expressão “Engravidar pelas orelhas”, que reflecte perfeitamente a influência do que se ouve dizer na maioria das pessoas, pode muito simplesmente ser evitada. A crítica inteligente ao que, por aí, se ouve dizer, parece-me anticoncepcional mais que suficiente para evitar emprenhar de zunzuns alheios!
Por isso, precaução com o que vos entra pelas orelhas a dentro!

Já agora, queria contar-vos que esta tarde ouvi dizer que um colega meu de 42 anos deixou a mulher e os 2 filhos para ir viver com uma colega nossa de 24 anos (que por sinal é um avião) e deve ser verdade porque, quem me contou ouviu dizer que era de fonte segura...

Biqsi

Publicado por obicho em 08:38 PM | Comentários (5)

fevereiro 12, 2004

O Querer e o Poder

Uma grande certeza em relação ao comportamento humano é que estamos sempre a Querer Poder. Poder fazer isto, comprar isso, ver aquilo, ter aquele outro.
Alexandre O Grande, por exemplo, quis ser Imperador e Dono do mundo e quase o conseguia, utilizando, para tal, as técnicas que o meu co-progenitor de ontem descrevia e elogiava.

No entanto, o Querer e o Poder são e sempre serão de uma relatividade incrível:
Uma vez numa ambulância perguntava-me, uma Bombeira, se eu me Podia mexer um bocado para o lado direito. Bom, Poder eu Podia, mas Querer, vai lá vai que doi; Já o Totoloto, que Pode sair a qualquer um, eu só Quero muito é que me saia a mim; Dar um apertão e uma achega à Fernanda Serrano é algo que eu Quero há muito, mas Poder fazê-lo... (isto digo eu só para vocês não ficarem tristes, porque se eu quisesse mesmo era num ai!); Beijar o cú no Bush, eu não Posso e nem, muito menos, Quero!
Vão dizer que existe sempre o “Eu Quero, Posso e Mando”, mas tirem o cavalinho da chuva, pois só funciona para alguns, para aqueles que realmente PODEM. Os outros ficam-se com o eu quero, quero e não mamo nada, (o que mais vale assim, se comparado com “Ah! Foi, sim, ah, foi sim, sem sombra de dúvida alguma... a primeiríssima vez que eu senti, realmente... o que era QUERER e PODER ter o Macho que eu, mais que tudo na minha vida, desejava e ansiava, desesperadamente, por me possuir!!! ... e, nesse momento, me alucinando... o cacetão-grosso-poderoso do Fabião estava totalmente duro sob aquele calção fino, bem debaixo e achatado contra mim...” – Bem, hoje à gente e animais para tudo, né?)

Parece-me que a melhor relação entre o Poder e o Querer se manifesta quando deparamos com um bom Desafio, daqueles em que, de simples que à partida parecem, difíceis se tornam, de cada vez que pretendemos melhorar as nossas prestações.
Deixo aqui um exemplo daquilo de que falo: Descarreguem o ficheiro Bate Bola, unzipem-no e cliquem no executável. Vamos ver quando os resultados começarem a surgir e a ditar a sua influência nos vossos imediatos e auto-propostos objectivos. Deixo-vos, ainda, o meu melhor resultado, que sempre serve de incentivo.

Terminando, que me vou embora, meditem no seguinte:
“Quem tudo Quer, tudo Perde”
e
“O Poder é como a água salgada, quanto mais se bebe, mais sede dá!”

Biqsi

Publicado por obicho em 05:37 PM | Comentários (5)

fevereiro 05, 2004

Tamanhos, calibres e ... formas

O tamanho de referência a partir do qual todos são medidos é o formato tradicional de 139,7mm com um calibre de 16,67mm a 17,46mm – O Corona.
O Petit Corona é, basicamente, uma miniatura do Corona. Mede geralmente cerca de 114,3mm e tem um calibre de 15,87mm a 16,67mm.
O Churchill é um Corona de grande formato 177,8mm com 18,65mm de calibre.
De seguida temos o Robusto, um curto e gordo charuto que se tornou o formato mais popular na América, cujo tamanho é geralmente de 120,65mm a 139,7mm com um calibre de 19,05mm
a 20,64mm.
O Corona Gorda, também denominado TORO, está em claro crescimento de popularidade. O formato é 142,87mm por 18,26mm de calibre, mas os charutos com 152,4mm por 19,84mm de calibre também se tornaram populares.
Temos ainda o Double Corona de formato standard com 190,5mm a 215,9mm e um calibre de 19,45mm a 20,64mm, o Panetela que é longo, fino e elegante (a popularidade deste formato tem decrescido nos últimos anos, mas ainda é um formato elegante) com uma considerável variação de comprimento de 127mm a 190,5mm e um calibre de 13,49mm a 15,08mm (os de comprimento superior a 177,8mm, são normalmente designados por "Gran Panetelas") e por fim o Lonsdale, geralmente mais comprido que um Corona, mais grosso que um Panetela e com um formato clássico de 165,1 e 16,67mm de calibre.

No entanto, não termina por aqui. Se estes são os regulares, os que qualquer um conhece, encontra, compra, oferece e saboreia, outros há de fáceis nada têm. Não espanta ninguém que lhes chamem os Irregulares:

O Pyramid é um charuto de pé cortado, mas com a cabeça aguçada terminando num ponto. Geralmente o formato é de 152,4mm a 177,8mm de comprimento e com calibre de cerca de 15,87mm no alargamento da cabeça e 20,64mm a 21,43mm no pé. Os pyramid são uma riqueza porque este tipo de cabeça permite a mistura dos complexos charutos na boca.

O Belicoso que, tradicionalmente, são Pyramid curtos, vulgarmente com a cabeça arredondada. O formato varia entre 127mm e 139,7mm com um calibre de cerca de 19,84mm. Actualmente os Belicosos são, frequentemente, Coronas ou Coronas Gordas com cabeças aguçadas. Nos últimos anos tem se verificado a produção de mini-Belicosos, que são charutos curtos de pequeno calibre e cabeça aguçada.

O Torpedo é pujante. Muitos fabricantes incluem charutos denominados Torpedos nos seus catálogos, mas maior parte das vezes são Pyramides. Um verdadeiro Torpedo é actualmente um charuto raro, é um formato com o pé fechado e cabeça aguçada terminando num ponto, com um inchaço no meio.

O Perfecto, tal como o nome indica, é um Sr.Charuto. Tal como o Torpedo, o Perfecto tem o pé fechado e um inchaço no meio. Contrariamente ao Torpedo a cabeça do Perfecto é redonda como a cabeça de um prego. Os Perfectos variam significativamente no seu comprimentos, de 114,3mm a 228,6mm, com calibre de 15,08mm a 19,05mm.

O Culebra é talvez o mais artístico e exótico de todos. Mais popular no passado, consiste em 3 Panetelas entrelaçados e amarrados, vendido como um único charuto.

As três partes são desprendidas e fumadas separadamente. Normalmente tem um comprimento de 127mm a 152,4mm e um calibre de 15,08mm

Para terminar, pois o catálogo já vai um pouco extenso, como último dos Irregulares, temos os Diademas.
Os Diademas são enormes, com 215,9mm ou mais. A cabeça é aguçada, mas não pontiaguda, calibre de 15,87mm, e o pé é ligeiramente aguçado, aberto ou fechado, e com um calibre de 20,64mm ou mais. (Consta por aí que foi um destes que a Mónica fumou)!

Pronto. Ok! Já chega...
As formas ficam para cada um de nós, ao degustar o seu charuto eleito (degustar, porque os charutos não se fumam, saboreiam-se).
Musiquinha ambiente, charuto aceso entre dois dedos, o corpo bem apoiado (puff, sofá ou cadeirão) e o fumo a esvoaçar, lento, pesado, odoroso, criativo e caprichoso, em formas tão indecifráveis, para quem chega e observa este ritual a decorrer, quanto acolhedoras e libertadoras, para quem as vê nascer, desenvolver e, por fim, desaparecer.

Biqsi

PS: Deixo aqui bem expressa a minha posição anti-tabágica. Um charuto é um prazer que intercala situações ou momentos de relevo e satisfação pessoal, não uma dependência física e psíquica de restos do que em tempos poderá ter sido uma folha de tabaco, enrolados em papel refinado, tudo muito bem impregnado de químicos e aditivos viciantes.

Publicado por obicho em 12:34 AM | Comentários (10)

janeiro 29, 2004

Botões de Rosa e afins

Ao tentar escrever sobre este tema, a 5ª cabeça do Bicho deparou-se com algumas dificuldades em imaginar ou até inventar o que expor, esventrar ou devorar.
Avizinhando-se a hora de almoço e começando o Bicho a reclamar o texto que o alimentaria por mais um dia, uma luz brilhou no escuro. Qual porco com uma lâmpada na cabeça (vulgo: Alentejano com ideias luminosas), o meu cérebro conseguiu activar algumas sinapses e por 2 ou 3 neurónios à conversa, obtendo como solução de desenrasque a habitual pesquisa no Google.
Ora, então, vai-se ao Google, escreve-se Botão de Rosa clica-se no search (depois de tantos anos a lidar com os botões em Inglês, não consigo suportar as versões portuguesas das aplicações de SW) e espera-se. Neste caso demorou 0,19 segundos a recolher cerca de 12.000 links para páginas onde aparecem as palavras que foram o objecto da procura.
Bom!
Escuso de dizer que das 12.000 páginas encontradas, poucas ou nenhumas se dedicavam ao verdadeiro sentido ou significado de um Botão de Rosa, acabando por deambular, muitas delas, entre o porno e o sexual (social e oficialmente) pouco aceites e a poesia neo-romântica de trazer por casa (cujo objectivo só pode ser o de afastar os possíveis leitores deste género literário).
Não! Não era disto que eu andava à procura. Não estava com muita paciência para fazer conversa da cueca. Quer dizer se fosse uma de fiozito dental, num rabinho bem apresentado, até... cooooffghhh, cooooffghhh!! (ai que me disperso).
Voltando à vaca fria,
- ah, é verdade, já vos disse que tenho um Puff Vaca? É simplesmente fantástico! Aaahhh Vaquinha Linda!!! Foi uma amiga minha especialista em Puffs que fez. Se quiserem o contacto dela, deixem um comentário no final deste post que depois (lá estou eu outra vez... isto hoje não está fácil) –
...dizia eu que procurava o cerne da questão, ou seja, o significado de Botão de Rosa, o que só me foi revelado páginas e páginas mais à frente. Passo a expor:
1 Botão de Rosa = Beleza e juventude ou um amor inocente
Beeemmmm.... Siimm sr.!
Mas há mais. Existem várias versões de Botão de Rosa (com leitor de CD’s, ABS, tecto de abrir....):
1 Botão de Rosa Branco = Meninice
1 Botão de Rosa Musgo = Confissões de amor
1 Botão de Rosa Vermelho = Puro e amável

Tudo muito lindo. A malta começa, então, a pensar bem no assunto e apercebe-se que um Botão de Rosa não é mais nem menos do que uma Rosa menor de idade, com pretensões de, um dia, vir a ser uma ROSA, na verdadeira ascensão da palavra.
É aí que as coisas começam a tomar outra proporção:
1 Rosa Amarela = Diminuição do amor ou Inveja
1 Rosa Folha = Você pode esperar (existem rosas folha?)
1 Rosa Vermelho Escuro = Luto

No entanto, nem tudo é negativo e por outro lado, descobri que:
1 Rosa Champanhe = Admiração e simpatia
1 Rosa Branca = Eu mereço-te (por isso manda mas é a tua mãe calar-se com essas merdas antes que...)
1 Rosa Damasco = Embaixatriz persa do amor (porquê persa? E porque não grega?)
1 Rosa Vermelho = Amo-te («que boazona!» Vamos p’rá cama?)
1 Rosa sem espinhos = Amor à primeira vista (Olá eu sou o Biqsi, vamos p’rá cama?)
1 Rosa Natalina = Tranquilize a minha ansiedade (Ah si carinho! Mas fuerte! Si...)
1 Rosa Clara = Gentileza (Siimm, siimm! Com cuidadinho, siiiiim!)
1 Rosa Chá = Vou-me lembrar para sempre (o que um gajo diz só para...)

Como sempre o pessoal acaba por não se satisfazer só com 1 e então...
1 Rosa Branca + 1 Rosa Vermelha = União
1 Cacho de Rosas = Encanto (cacho?)
1 Coroa de Rosas = Mérito superior (não será mais “Paz à sua alma”?)

Farto que se fica de falar, escrever ou ler tantas vezes a palavra Rosa, gostava de me despedir com o significado de algumas outra flores que tantas vezes nos aparecem pelo caminho, como por exemplo, a Papoula Branca = Consolação e a Papoula Vermelha = Prazer (vêem aqui alguma conotação com drogas?), o Lírio Laranja = Aversão (bom para as manhãs de 2ª feira no trabalho) e o Lírio Amarelo = Estou andando nas nuvens (usados na decoração das melhores salas de chuto) e por fim o Jacinto Amarelo = Inveja (enviados aos molhos por todos os amigos do João Gil, com desejos de uma recuperação rápida e cumprimentos para a Catarina).

E pronto. Tenho dito!
PS: depois disto vou mas é ouvir “Dos Gardenias” da Maria Rita, para descontrair.
PS 2: Gardénia = Você é adorável e Amor secreto

Biqsi

Publicado por obicho em 04:48 PM | Comentários (13)

janeiro 22, 2004

Equipa maravilha

A minha dream team não tem 11 jogadores, nem 11 jogadoras, nem é para levar para uma ilha.
A minha dream team é polivalente.
É uma equipa que joga em todos os relvados e que está permanentemente em jogo, onde quer que se esteja e a que horas for!
Os elementos da minha dream team não se cansam.
Jogam por gosto.
Uns têm mais de 20 anos de jogo, outros poucos meses apenas, mas todos vestem a camisola.
A minha dream team discute, entra em desacordo, remata, ataca e defende, mas o objectivo é sempre o mesmo. O próprio sucesso da dream team.
A minha dream team é mais uma Selecção.
Uma Selecção da qual fazem parte os melhores dos melhores, de todos os possíveis elementos que fui conhecendo com o passar do tempo.
É com esta dream team que eu quero jogar e ganhar durante toda a minha vida.
A minha dream team, ou melhor, a minha Equipa Maravilha...
...são todos os meus Amigos!

Um grande abraço a todos eles.
Biqsi

Publicado por obicho em 09:29 PM | Comentários (7)

janeiro 15, 2004

Está na hora da caminha, vamos lá dormir...

A Cinderela não tinha mãe, a Capuchinho Vermelho não tinha pai, a Heidi só tinha um avô e a mãe do Marco fugiu para a Argentina...
A Branca de Neve, ninfo como era, só se contentava com 7, o Scooby Doo era um maricas, os pequenos Póneis só podiam ser gays e a Estrunfina era a escrava sexual de centenas de Estrunfes.
No meio de tudo isto:
"...o Calimero foi ao cú da Abelha Maia,
e esporrou-lhe para a saia
Maia puta de um cabrão
Maia fode sem parar!..."
Os pais não os suportam e só quando não conseguem é que não desaparecem os dois, o relacionamento entre os dois sexos ou não existe (devido às demarcadas tendências homo) ou é exacerbado em ménages e em músicas porno...

Só mesmo as crianças, para olhar para tudo isto e ver apenas grupos de amigos que se regem por altos valores morais... que imaginário, o das crianças!

Biqsi

Publicado por obicho em 11:59 PM | Comentários (1)

janeiro 08, 2004

Esq - Dir, Dir - Esq, Esq - Dir, bem, seja lá como for!

Já a Julia Rubio (Argentina, 26 anos, corpo de Salma Hayek, voz de Gloria Estefan e movimento de ancas como a Jennifer Lopez) o dizia:
"Agora a Direita. Não é essa Direita, é a outra! E agora a Esquerda, duas vezes consecutivas!
Ai mi vida, que hice yo a Dios para tener unos alumnos como estos! Pero tendran ustedes pies de piedra?!?"
Que ideia a nossa a de tentar aprender a dançar o Tango. A Bia bem me dizia que a nossa diferença de alturas podia ser um empecilho, que nos íamos arrastar e fazer má figura, que...
"Sshhhsss! Nada disso. Vamos mas é aprender num instante e vai ser o máximo. Quero ver a cara dos nossos amigos quando nos virem a Tangar (literalmente)!"
Era bom era! Encurtando caminho, os nossos dois pés direitos ou esquerdos, continuaram só esquerdos e só direitos, isto é, os dois iguais e resolvemos não tentar impressionar ninguém, ou melhor, evitar a galhofa e chacota que nos perseguiriam, seguramente, para toda a vida.
Enquanto duraram as aulas, ainda apanhei foram uns calduços, desferidos pela Bia, umas vezes com a mão Esquerda, outras com a Direita, sempre que era apanhado a olhar para as anquinhas da Julia.
Engraçado:
A dançar o Tango, os pés copiavam os movimentos um do outro e não saia nada de jeito.
Os calduços, viessem da Esquerda ou da Direita, atingiam sempre o seu objectivo de forma exemplar.

Isto da dicotomia Esquerda / Direita, ou luta entre as duas (se preferirem), parece-me afinal extremamente simples...
Quando se trata de coordenação, esforço conjunto, objectivos harmoniosos e evolução construtiva, Esquerda ou Direita dá no mesmo, ou seja, quase nada, pouco que se veja, nada que se mostre e muito que esconder para evitar o embaraço.
Quando se fala de crítica, censura e de castanhada funcionam ambas muito bem. (bem de mais até, pelos exemplos que vão ficando para a história!)

O Tango não é para todos!
Os Calduços... bem, esses nem deviam de existir!

Biqsi

Publicado por obicho em 01:24 AM | Comentários (1)

janeiro 02, 2004

E a figura/facto do ano 2003 é...

- A oposição válida ao governo
- O planeamento florestal
- A restruturação do sistema tributário
- O incentivo ao empreendedorismo dos Jovens Portugueses
- A atracção e fixação, no nosso país, da massa cinzenta tão necessária ao desenvolvimento
- A valorização e incentivo ao desempenho da massa produtiva Portuguesa
- O Oscar ganho pelo cinema português e o Grammy atribuído às novelas do Tozé Martinho
- A demonstração da capacidade de destruição massiva do Iraque
- A inteligência do George W. Bush
- A melhoria do poder de compra e do nível de vida dos Portugueses
- O Joaquim Monchique (transexual Português muito conhecido)
- O poderio económico Português em Espanha
- A recuperação arquitectónica dos centros citadinos
- O termino do tráfico de influências nas Câmaras Municipais
- A restruturação e viabilidade económica do Alentejo
- A hegemonia e primazia da Selecção de Futebol Portuguesa
- A vitória de Portugal no festival da Eurovisão
- A TV de qualidade em horário nobre
- O arranque do julgamento da Casa Pia
- O rejuvenescimento da população Portuguesa
- O regresso da Fórmula 1 ao Estoril
- A renovação de mentalidade do PCP e da Igreja Católica
<...>
Resumindo, a figura do ano 2003 é mesmo... o D.Sebastião!

Biqsi

Publicado por obicho em 12:12 AM | Comentários (1)

dezembro 26, 2003

ups, esqueci-me do título

Os perfumes suscitam inúmeras emoções e sentimentos: paixão, desilusão, alegria, tristeza, cansaço, energia, recordação, arrepio, inovação, modernidade, classissismo, selvaticismo, sedução, reencontro, amor, confiança, sensualidade, exuberância, bom gosto, sofisticação, ...
...é um sem fim de sensações, que são despertadas e identificadas pela simples acção de um dos nossos 5 sentidos.

Não deixa de ser fascinante ver como a simples mescla e manipulação de ingredientes olfactivos consegue resultados tão reais e fantásticos, nas pessoas que os usam, nas pessoas que os cheiram, nas pessoas que os vendem e nas pessoas que os fabricam.
O Olfacto é um dos nossos sentidos mais explorados comercialmente, mas são os outros perfumes, os naturais, os reais, os que não se manipulam, nem se acondicionam em frasquinhos de todos os feitios, cores e tamanhos, que a mim me enchem as medidas. Que me fazem reviver memórias de outros tempos, que me fazem sorrir e por vezes emocionar.

A terra molhada depois de uma trovoada de Agosto, o cheiro da lenha que arde nas lareiras das casas e aconchega as ruas, as castanhas que se assam e vendem nas esquinas das ruas, a manteiga que se derrete em contacto com a primeira fatia que se corta do pão acabado de tirar do forno, o cheiro do mar e da praia pela manhã, o cheiro de um campo de flores na primavera, o cheiro de uma laranja acabada de colher, o cheiro da terra remexida e preparada para a sementeira, o cheiro da nossa casa e por fim, mas não por último, o cheiro de quem amamos (já aqui explanado pelo meu amigo Comandante).

É que de perfumes, cheiros e outros odores cada um sabe de si, como os utilizar, apreciar ou evitar e, como tal, deixo-vos apenas uma imagem:

"A banheira está cheia com àgua, com espuma relaxante de essência de morango, com ele e com ela.
Ele está encostado ao extremo da banheira. Ela está encostada ao peito dele.
O vinho é tinto e o seu aroma florado, semi-adocicado e encorpado sobe pelas paredes dos copos de pé alto que ela e ele seguram (o Tapada de Coelheiros continua a transmitir aquela satisfação e languidez alentejanas a quem o bebe).
A iluminação está a cargo de 7 velas aromáticas que se encontram dispersas por toda a área disponível, transformando o ambiente de semi-penumbra num retiro de prazeres olfactivos.
Os corpos libertam o seu cheiro e paladares habituais, que se entrelaçam com a essência de morango, abraçando-os e unindo-os um pouco mais.
A pouco e pouco sentem-se, tocam-se, apreciam-se, entranham-se e cheiram-se, partilhando o Amor que os faz viver"

...enfim, desejo-vos a todos um Feliz Natal (em especial à Irmandade do Blog!)

Biqsi

Publicado por obicho em 12:19 AM | Comentários (1)

dezembro 19, 2003

no title

Poligamia 1
Não!
Desta vez basta. Eu nunca mais o quero ver na minha vida. Nunca mais!
Existem níveis a partir dos quais não existe mais volta atrás.
Depois de anos de promessas, planos e ideais, o que é que venho a descobrir? O quê?

O acelerador vai a bater no fundo, a Skin canta o que lhe vai na alma: Fleshwounds

Ainda por cima, porque me fui eu casar com este tipo?
Depois de tantos anos de partilha de casa, cama, amigos e famílias, já ninguém esperava que eu mudasse a minha vida, ou que me interessasse por outro género de compromisso, não é?
E eu feita estúpida ainda fui aceitar (foi mais gritar e pular de alegria) um pedido feito por ele!

O CD avança e as palavras de ordem são agora “...don’t let me down...” repetidas refrão após refrão.
A auto-estrada favorece a velocidade. E a viagem do pensamento.

Pego no telemóvel e procuro o número do Vasquinho, o meu melhor amigo. Amigo de longa data e de muitas ocasiões. Quantas vezes não chorei eu já no ombro dele e sempre devido ao Eduardo, que não passa de uma pila assanhada.

Pelo menos que se satisfizesse de vez em quando, mas que levasse uma vida condigna e me respeitasse a mim, que ficava dia e noite à espera dele, com tudo sempre tão arranjado e preparado, para que tudo brilhasse e estivesse bem!
Mas eu já devia desconfiar dos turnos duplos que ele fazia no hospital. A operar dizia ele.
Era, era...
...a operar mas era com a ferramenta, até se fazer todo em iogurte dentro de alguém que não eu!

Uma nova indicação acaba de passar a correr e já se encontra bem atrás. A próxima saída é para Barcelona.

Mas agora sou livre e vou simplesmente viver a vida que nunca levei e que sempre sonhei. Voltei a dançar e estes últimos 6 meses são para esquecer. O meu corpo voltou à minha forma habitual, as coxas, que são o mais importante, sempre se mantiveram firmes e seguras, pelo que me será fácil integrar o elenco do Ballet Flamengo.

E quem sabe, não conheço alguém? Um novo amigo, um novo namorado, um novo companheiro, mas um que me seja fiel e ACIMA de tudo, que se dedique a uma só pessoa.

Finalmente marco o número do Vasquinho.
Estou? Sim? Vasquinho, amor? Sim sou eu. Estou a chegar. Mais meia hora e estou aí!
O quê? Uma festa de boas vindas? Com 5 outros amigos teus? Ai tu vê lá no que me metes...
...um é pintor e adorou a minha foto? Bem...
...o melhor é não ficar com ideias antes de tempo. Ele é mesmo nosso amigo? Sim?
Bom, até já. – desligo –

Nos altifalantes assegura-se agora que “...I’ll try...”

Sabes uma coisa Eduardo, seu pila mole que nem me sabia penetrar em condições?
Podes ficar com a tua ex-mulher no Porto, a tua namorada em Lisboa e o teu Amante barbudo em Cascais, que não me ralo!
Aqui eu, não sou para o bico de um polígamo desvairado que nem sabe quais as suas tendências sexuais.

Ainda vou singrar no showbiz! E quando me vires nas capas das revistas, ainda te vais lembrar que já me tiveste, mas nessa altura estarei eu muito acima de todas as tuas mentiras.
Prometo eu a mim próprio! Ou não me chame eu Zé Luis!


Poligamia 2
Charlie Brown Jr. - Sheik
Eu sou o Sheik tenho mais de mil mulheres no meu harém
Minha barraca tá armada e não tem pra ninguém
Com meu petróleo tua máquina funciona bem
Vou te comprar pro meu harém

Porque eu só moro em cobertura
Eu só ando em limusine
Um milhão no porta mala
Cinco mina de biquini
Eu sou o Sheik, Sheik, Sheik
Vou te comprar pro meu harém

Poligamia casei com tua irmã
Com tua prima e tua tia!
Você no meu lugar não vai dizer que não faria?
Tudo traz a lembrança da lenda da fenda
Fica induzindo ele rumar pra lá
Estúpido ele fica, assim ela é linda
Ela vem, ela abala, ela é má
Sheik, sheik, sheik o que ela tem pra me entreter
É mais ou menos parecido com a mulher do Canadá

Sheik, Sheik
Sheik, Sheik, Sheik!
Sheik, Sheik
Sheik, Sheik, Sheik!

Biqsi

Publicado por obicho em 01:36 AM | Comentários (3)

dezembro 17, 2003

E o tema da próxima semana é...

Meus caros co-progenitores do bicho e nossos caros leitores do bicho, quem manda desta vez sou eu, eh, eh...

... e, como tal, o tema da próxima semana é...

O Perfume!

Vamos lá a saber o que já viajou por essas narinas.

Biqsi

Publicado por obicho em 02:20 AM | Comentários (2)

dezembro 11, 2003

Afinal...

Daquela vez viajava para o Porto de comboio.

Era 6ª feira, o fim de semana aproximava-se e com ele o meu encontro de degustadores de Francesinhas e de vinho verde tinto.
O encontro destinava-se apenas a Homens do Norte, mas um bom amigo, por saber da minha fixação por Francesinhas (das que se comem! não quero aqui enganos...) arranjou forma de me incluir no ilustre grupo que iria dedicar dois dias à prova dos mais variados tipos deste snack Portuense.
Só de pensar me vinha água à boca!!!

O Público trazia as notícias do dia que, há falta de melhor, se debruçavam sobre a pedofilia em Portugal (novidade das novidades), a nova lei do trabalho e o futebol do fim de semana.

Liguei o Discman e esperei a chegada à Campanhã ao som da Diana Krall. Já experimentaram viajar de comboio numa daquelas tardes de Outono, em que o Sol ainda aquece quando se encontra directamente a pele?
Então recomendo que o repitam na companhia da Diana e depois voltamos a falar!

No fim da penúltima música reparo que estou prestes a chegar.
Junto as minhas coisas, que em viagem acabam sempre por ser o estritamente necessário para a compostura de indumentária e o quase excessivo material de apoio espirito-sensorial ao viajante (livro, revistas, jornal, cd's, papel e caneta, guia da cidade e lista de restaurantes e tascas - tudo isto para uma viagem de 2,5 horas e uma estadia de 2 dias quase completamente preenchidos).
Enfim, não vale a pena lutar contra o que não pode ser alterado. (Outro exemplo são os duches rápidos de pelo menos 20m que por mais que tente não consigo acelerar. Quer dizer, uma vez consegui a proeza de levar apenas 17m45s).

Preparo-me para a 2ª parte do trajecto - O Táxi.
Entre travagens bruscas, acelerações imediatas, impropérios, calão e muitas caralhadas à mistura (não se escandalizem! Caralho e seus derivados são palavras quase inofensivas e sem maldade nesta região do nosso Portugal) cheguei ao Hotel, que não parece nada mau.
<...>

Acordei bem disposto pelas 10h, ao som de pregões que se levantam pela rua.
Tenho a boca um bocado seca. Abusei um bocado ao jantar. E o vinho do Porto pela noite dentro...
O duche hoje dura um pouquinho mais (30m). O pequeno almoço é reforçado.
Ahh! Sinto-me ressarcido!

O encontro tem início às 13h00m. Aproveito o tempo disponível para passear um pouco, ler o jornal e beber um café, que insisto em pedir por cimbalino enquanto os empregados dos cafés insistem em responder-me com um café apenas. A tradição já não é o que era.

Chego ao antigo Convento onde já se encontra um enorme grupo de pessoas que se abraçam e cumprimentam, trocando os V's por B's.
Avisto o meu amigo de tantos anos e aprochego-me. O abraço é batido e depois de umas bocas Mouriscas estou integrado no grupo.

A animação e boa disposição só são superadas pela predisposição de todos em atacar de vez a mesa que já se encontra à nossa espera.
Sentamo-nos e iniciamos o que se pode referir como o devorar consecutivo de Francesinhas e o abate intransigente de florestas de garrafas de vinho verde tinto.
<...>
Comida (muito boa e em quantidades hercúleas)
<...>
Conversa (para todos os gostos e quase sempre apimentada)
<...>
Bebida (generosa de opiniões, basta e variada - não fosse esta uma região Nobre da vinicultura)
<...>
O tempo passa e o almoço de Domingo já vai largo. Alguns dos presentes despedem-se e aproveito para me dirigir ao dóbliú-ciê (WC).

Enquanto mijo, reparo num dos comparsas que entra carregando uma mochila.
Lavo as mãos e então apercebo-me que ele está a mudar de roupa.
Na brincadeira pergunto se temos número de showbiz para terminar o Almoço, ao que ele se ri e responde, olhando para os dois lados:
"Não amigo! Sabe,... não comente por aí,... mas estou a preparar-me para ir ao futebol. O FCP joga com o Moreirense."

Ooh, homem e para isso tem de mudar de roupa?
"Pois..., bem isso é outro segredo. Mas... já que pergunta, até lhe posso confessar. Tenho uma tara!"

Bom já se imaginava. Estes gajos do Porto, c'um caralho!
"Calma não tem nada a ver com criancinhas nem nada. Tenho a tara de me vestir e arranjar como se fosse outra pessoa para ir ao futebol.
É como se vivesse todo aquele clima doutra forma.
Faço o que quero, gozo a bem gozar e ninguém me diz nada.
Tás a ber? É que fico com um certo ar de animal... de Cerci, topas?"

Termina de se vestir e arruma tudo na mochila.
"O mais engraçado é que só os meus filhos e amigos é que sabem disto e divertem-se à grande quando eu apareço na televisão!"

Na televisão, mas como é que é isso?
"Bahh! Basta colar-me aos reporters da TV que mais cedo ou mais tarde eles entram em Directo e depois faço de tudo o que me vem à cabeça!
O pessoal lá em casa, que sabe que sou eu, atira-se ao ar na galhofa!"

Agora reparo que ele se está a despentear e que no final remove a placa que lhe disponibiliza os vários dentes que lhe faltam.
Incrível.
Nem parece a mesma pessoa.
Dou-lhe razão que fica com um certo ar de desvairado!

- Engraçado, aquela cara é me familiar de algum lado. -

"Bom vou mas é andando. Ouvi dizer que hoje há uma apresentadora nova e quero apertar com ela antes do jogo, eh eh.
Já agora confesso, também, que já me habituei a este traje de impunidade e que já tenho feito umas incursões fora do futebol, eh eh!
E olhe que não me tenho saído nada mal!
No outro dia até preguei um linguado naquela boazuda da loiraça da Marisa Cruz, eh eh! Aquilo é que é uma mulher.
Bom vou-me embora.
Um grande abraço e até à próxima"

Despeço-me incrédulo e dirijo-me para a sala onde ainda se encontram os restantes comensais.
<...>

Já no comboio regresso ao abraço invisível da Diana e é só agora que se faz luz na minha cabeça... Já sei de onde me parece conhecida a cara daquele tipo!
O gajo é o cromo do Emplastro!
Caralho !!! (acho que se me pegou o hábito)

Biqsi

Publicado por obicho em 02:45 PM | Comentários (4)

dezembro 04, 2003

O Culto

Sendo eu um afamado Mestre Cozinheiro, digo-vos desde já que não poderei ser de forma alguma a pessoa indicada para falar de culinária.
Digo isto sem rodeios, nem pretensões de falsa modéstia.

No entanto e havendo uma cabeça (a 4ª das 7 que o bicho ostenta) que hoje se alimenta, ainda não o tendo feito, cá vai:

A Culinária é, nem mais nem menos, um culto. Sim, um culto. Capaz de rivalizar e tornar insignificante qualquer Igreja Apocalíptica, que tantas há nestes nossos dias. (realmente, com a profusão de Igrejas, Grupos, Associações e outros Gangs de visionários, os últimos dias da nossa existência devem estar perto! Mas isto são palavras para outro tema).

Dizia eu que a Culinária os bate a todos, sem margem para dúvida e sem esforço algum.

Base fisiológica/filosófica da sua existência
Todos os cultos a têm. Esta é a melhor. Conhecem alguém que sobreviva sem Comer?
Vegas, GNRs, vegetarianos, lesbianas, macrobióticos, pedófilos, carnívoros, homens-sexuais, omnívoros, etc, etc... todos o fazem. É uma necessidade física vital, mais para uns do que para outros, mas não deixa de ser vital e costuma-se dizer que “O que tem de ser tem muita força” e Comer tem mesmo de ser (e por vezes com muita força).
Logo e como cada um é como cada qual, os gostos, desejos e necessidades de Comer serão variados, dispersos e independentes.

Presença do culto e interacção com o mesmo
É aqui que surge a Culinária. Como resposta à necessidade de preparação e pré-elaboração do que se vai Comer.
Inúmeros autores, especialistas, provadores, degustadores ou alambazadores se têm pronunciado em relação à Culinária, bem como produzido incontáveis obras e compêndios de receitas, onde se tentam registar e relatar, os resultados de experiências bem sucedidas, com o objectivo de facilitar a tarefa de reprodução desses mesmos resultados em experiências futuras. Neste ponto deverei mencionar duas obras que serão das mais completas e apreciadas, as Receitas Escolhidas de Maria de Lurdes Modesto e o Kamasutra de autor desconhecido.
No entanto, a magia e o fascínio deste culto está na auto-descoberta, pela experimentação e seguinte saborear de resultados, o que faz de cada um de nós um Sacerdote (mais ou menos especializado, é claro) deste culto.
Ele há quem defenda a partilha entre Sacerdotes, através de encontros e acções específicas para o efeito, outros há que preferem a experiência solitária da culinária. Alguns consideram que a culinária deve procurar a mais perfeita interacção entre uma enorme quantidade de elementos que simultaneamente degustados e observados provocam ondas de prazer, enquanto outros procuram a simplicidade e o minimalismo, como meio de projecção dos verdadeiros sabores do que se vai Comer em detrimento do que envolve e acompanha o que se Come.

Efeitos nefastos do culto
Como culto que se preze, este também tem os seus efeitos nefastos, que começam, como todos os dos outros cultos e seitas, pela mais rápida ou mais tardia, mas sempre certa, dependência!
Pois é. O Comer é físico e vital, a Culinária está intimamente relacionada com o Comer e seria de todo impossível a sua não existência, mas o pior é que provoca uma exacerbada dependência de procurar cada vez mais (em qualidade e quantidade) os seus frutos. Ficamos para sempre condenados a uma dupla existência, entre as obrigatoriedades da subsistência nesta sociedade mercantilista e os prazeres Culinários das preferências de cada um. Momentos há em que este dualismo não funciona, em especial a meio da jornada diária e no final da mesma, sendo por vezes necessário negociar subconscientemente o tempo que ambos os extremos deste dipolo exigem.
Por outro lado, todos nós Sacerdotes ficamos por vezes indefesos aos poderes culinários de outros Sacerdotes (só para aclarar dúvidas, quando digo Sacerdotes, refiro-me ao substantivo genérico que engloba Sacerdotizas e Sacerdotes, OK?). Quantas vezes não ouvimos já expressões como “Pela barriga se apanha um homem”, “O que eles querem é cama e comida”, “Na cama todos os favores se concedem“ ou ainda “Agora marchava uma Francesinha”? A discussão de tais citações também poderia aqui ser iniciada e desbravada, mas ficará para outro banquete.

Adiante e em ar de conclusão.
O Culto existe. Todos o conhecemos (se não, não neguem à partida ciências que desconhecem, comprem as obras já mencionadas e verão o que é bom). Todos o procuramos/utilizamos para nos satisfazermos. Por vezes negamo-lo publicamente, sabendo no entanto que mentimos com todos os dentes.
Dos exemplos dados no início, só os GNRs poderão ter sido um pouco marginalizados nesta conversa, mas tratando-se um subgénero que Come todos e tudo a que pode deitar a mão, acaba por não trazer grande especificidade, não acham?

E agora vou indo porque...
...já estou cá com uma fominha!!!

Já agora, são servidos?
Biqsi

Publicado por obicho em 10:55 AM | Comentários (2)