maio 14, 2004

Bendito o fruto do Vosso ventre

(Avé Maria)

Rendo-me! Incondicionalmente. Não quero mais guerra...reconheço a vossa superioridade.Por maior que seja a capa superficial de dureza e robustez, no fundo todos somos grandes bebés barbados, sempre na busca do aconchego do regaço materno em toda as mulheres com que guerreamos. Não há dito mais acertado que aquele que sentencia que por traz de um grande homem existe sempre uma grande mulher.Eu aínda vou mais longe, esse grande homem só é grande por existir essa grande mulher.Tenho para mim que viemos em sociedades matriarcais, mais, muito mais do que nos apercebemos ou gostamos de admitir.A minha prova é Edith Bunker (All in the family). Se olharmos bem dentro daquela personagem, mulher submissa aos caprichos de um marido soez, como tantas que conhecemos por aí, compreendemos que é ela o suporte daquele lar, ela e o desmesurado amor que nutre pela sua familia.
Tenho dito...rendo-me, mas se acaso me apanharem guerreando o Sérgio responde por mim "o coração/é incapaz/de dizer/tanto faz/parte para a guerra/com os olhos na paz"

Mr.T

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maio 08, 2004

Como sempre...como dantes

(Mais um fado no fado, camané)

É tradição as quartas serem brancas.É tradição, por serem brancas as quartas, passarem as quintas a sextas.É tradição, por tudo o que se disse antes, serem duplas as sextas.Mas as tradições servem para ser quebradas, por isso esta semana tambem foi branca a sexta! Que posso eu dizer, sou um subversivo.

Mr.T

Publicado por obicho em 12:41 PM | Comentários (0)

abril 30, 2004

Por entre trevas e mortos vivos

Mão morta-Velocidade escaldante

Corpos vagueiam no éter, trincando deliciosas coroas de espinhos.O sangue, escorrendo-lhes a jorro por entre os lábios, é o fueldieselcarbonato que os incendeia. Numa qualquer Via Láctea inconcebivél do espaço-tempo, as indeléveis Pheoníx debicam-os para seu supremo extase corporal.Um deleite quente de fogo que queima mais do que aqueçe...fricção desmesurada.Corpos que querem que sentem e se sentem num esgar feliz...os grito atroz do aço inoxidável!

Mr.T

E o sexto sentido? Um texto sem sentido só pode ser o resultado do labor do sexto sentido.

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abril 23, 2004

Me and Mrs.Jones

We got a thing goin'on
(Billy paul)


Só me apetece é bradar, qual camaraman açoriano: “ Mas que é isto, ein?”. Terei eu sido a única de todas estas cabeças pensantes à qual, durante todos estes anos apenas tenham tocado vizinhas do lado velhas, feias e gordas? (“que me perdoem as muito feias, mas beleza é fundamental”)
Tamanha colecção de vizinhança erótica nunca tinha visto. Eu bem que não queria divergir, mas o máximo que consigo apresentar para rivalizar com os meus compadres é a visão de um par de mamas, ainda em idade pré-adolescente. Pensando melhor não me posso queixar...um par de mamas sempre é um par de mamas, e afinal aquele sempre foi o primeiro par de mamas. ( expressão viciante esta do “par de mamas”, quase tão viciante quanto as ditas cujas, não admira ter o dicionário andado de roda dela)
Mas enfim...o tempo passou e nunca mais a vi, nem a ela nem à extraordinária Pipi das meias altas que lhe enfeitava a cama. Creio que agora está casada e é mãe de filhos.
As coisas que este bicho me faz recordar...Saudades. Caramba, o que eu gostava mesmo era da pipi das meias altas!

Mr.T

Publicado por obicho em 12:02 PM | Comentários (4)

abril 16, 2004

Nostradamus

Que raío! Esta gente é apressada, aínda a procissão vai no adro e já querem que me pronuncie sobre quem os magos do sec.XIX. Missão impossivél, é que eu de Nostradamus não tenho nada, excepto a ocasional alucinação e quiça aquelas alturas em que fico três quinze dias sem fazer a barba, por isso o melhor é ficar calado e não meter a pata na poça. Até para a semana amiguinhos...

Mr.T

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abril 09, 2004

Make Love not War

(um hippie qualquer)

No amor dançam-se valsas etéreas e revoltam-se a massas oprimidas em sublevasões sucessivas de rosas e orquídeas selvegens. São construidas armas de destruição massiva, apontadas a corações alheios e investe-se furiosamente contra moinhos de vento na eterna perseguição às dulcineias ausentes.E há planos estratégicos, movimentos planeados a régua e esquadro, avanços e recuos milimétricos dia após dia todos os dias. Há tambem tricheiras onde se aguardam pacientemente os avanços alheios, pensando nas agruras da vida.No amor...no amor...no Amor romãs frescas de um verão passado trazem à baila memórias que bailam e nos aqueçem e nos dão esperança quando tudo parece estar para acabar.
...
...
...
Na guerra, bem, da guerra não sei eu nada.Bem sei que de amor também não e isso não me impediu de regurgitar as linhas acima...enfim, maningâncias.

Mr.T

Publicado por obicho em 02:06 PM | Comentários (0)

abril 02, 2004

The only one who could ever reach me, Was the son of a preacher man

Dusty Springfield

...E veio Labão, pai de raquel, irmão de josué, filho de joaquim, neto de Salomão e disse: erge-te e verás nascer o sol. E então Alfredo, filho de jumério, irmão de benedita e tio de Jeremias, assim o feza e no horizonte o sol surgiu e com ele a esperança.Hossana, exclamou Alfredo e Godfredo, filho de Benedita, sua irmã, a ele acudiu e prostrados ambos ficaram a saudar a boa nova. E foi então que Labão bradou: Ao sétimo dia do sétimo mês do sétimo ano que virá após este dia, chegará um bicho com sete cabeças e será então que iremos gozar sete séculos na graça do senhor e será o dito bicho o seu nome na terra!

Mr.T

Publicado por obicho em 12:27 PM | Comentários (2)

março 26, 2004

I'm only here for reproduction

so that my coded information is passed
on and on and on an I can have a glimpse at immortality


Tenho medo. Temos todos medo. Não é justo nem é lógico que tudo se resuma a isto, uma breve passagem sobre a terra. E mais nada. O homem não consegue viver com esta realidade. É demasiado cruel. Por isso assim que saiu do estado bruto, criou Deus e com ele um admirável mundo novo existente "Beyond this mortal coil". Em todas as religiões e todas as culturas se apresenta esta ideia da vida após da morte, mais ou menos intensamente relacionada com uma conduta moral seguina na vida terrena.
Tenho para mim que, questões de controlo social a parte, a vida após a morteé uma fabulação de aglgo defacto existente. Defacto existe uma vida após a morte, isso é inegável, o que é se passa é que nada tem que ver com alminhas, espíritos, infernos, paraísos e outros que tais. O código genético é uma das manifestações defacto da vida após a morte, e é em grande medida, a recompensa da Mãe Natureza ao nosso esforço para a manutenção da espécie.
A outra forma de imortalidade é a memória que nos torna perpetuos na memória dos nossos, sendo que a dimensão dos "nossos" é em certa medida a recompensa pelo nosso desempenho social. E por aqui me fico, até para a semana amiguinhos.

Mr.T

Publicado por obicho em 01:14 PM | Comentários (0)

março 19, 2004

Para uma cartografia da blogosfera

Praça da República em Beja, 40º à sombra no pico do verão alentejão.Sigo Rua da judiaria abaixo, trilhando o curso de uma memória inventada.Vêm-me á cabeça recordações das terras do nunca, onde um dia um velho almocreve de petas me vendeu uma retorta com a qual destilei avatares de um desejo, cor azul cobalto. Enquanto nestas e em mais outras ene coisas pensava, dei por mim à porta das caves do comandante, lider militar da república do gerúndio. Parei a bater continência, de modo algo abrupto, e segui o meu caminho, ao encontro do amigo Biqsi, cuja humildade nunca me deixara de espantar.”Não esperem nada de mim”, dizia ele.Apropósito de biqsi, nunca percebi o que raío de nome é aquele,um destes dias tenho de ver o dicionário do Diabo a ver se de ele consta.
Saudações costumeiras trocadas, iniciamos amena cavaqueira, trocando ideias soltas entre aromáticas fumaças , sobre a glória fácil de morrer ( porque morremos senhor?) e a difícil luta de viver numa planicie heroica (ou será de herois?).Os improvisos que a rádio debitava e que nos serviam de cenário musical foram interrompidos para a leitura de um comunidado à nação do Primeiro-ministro desta choldra ingovernável:A culpa é da oposição!, bramia ele, eu podia jurar ouvir dizer o Barnabé (que é diferente dos outros) bradando da tasca da cultura, de onde nunca saía que tanto podia ser da oposição, quanto do mosquito, do macaco, ou até mesmo do pobre bicho escala-estantes que mal nenhum fez em toda a vida.Grande personagem este barnabé.Enfim... nada de novo aqui a leste do paraíso.A noite chegava e convidava-nos a sair (o vento lá fora chamava amigo ). E assim fizemos. Pela fresca noite saímos protegidos pelo olhar atento de um velho mocho, a ir beber um copo ao Jbar, esse ícone das noites Alentejanas.

Mr.T, um homem sempre, sempre só (a lá GNR)

Publicado por obicho em 09:11 PM | Comentários (5)

março 12, 2004

It´s the end of the world as we know it

(R.E.M.)

Aproveitem o dia. Ao máximo! Não se detenham com merdas.Não sejam uns merdosos, uns maricas.Se algo se aproveita dos acontecimentos de ontem é a lição de que a vida é demasidado efémera para perdermos tempos com idiotices.É perciso não ter medo de se vir a arrepender de se ter feito algo. Medo deve-se é ter de se vir a arrepender de não se ter feito algo.O que levamos quando partimos é apenas o acumular das experiências que vivemos. E só.

É hoje que vou para casa á pendura no elétrico!

Mr.T

Publicado por obicho em 01:46 PM | Comentários (2)

março 05, 2004

Em matérias do amor estamos sempre adolescendo

Espesso livro vamos lendo e coitados
Somos sempre uns iletrados
(Sergio Godinho, Biblias de um Deus ateu)


Como custa dizer amor.A enésima repetição que seja é sempre o mesmo, as incertezas e inseguranças estão todas lá, como da primeira vez. Se os olhos e a boca falam coisas diferentes não sei saber que quem fala verdade são os olhos, isto apesar de à muito o ter como verdade.A atrapalhação, o medo, o constante correr contra a ternura.Seja aos treze, seja aos quarenta tem de sempre haver um anjo amigo.
Quando lí a Insustentável leveza do Ser fiquei ao mesmo tempo fascinado e atemorizado com a apresentação que lá é feita da ideia Nietzscheana do eterno retorno e, ao pensar nestas linhas que aqui deixo apercebi-me que vivemos num etrno retorno amoroso, e não só no que acima toca ao que acima descrevi, mas isso agora não intressa.É assustador, mas estranhamente não deixa de ser reconfortante. Vivendo e aprendendo, assim soe dizer-se, mas nem sempre e nem em tudo.

Mr.T

Publicado por obicho em 01:07 PM | Comentários (1)

fevereiro 27, 2004

Não sou supersticioso, mas o pai dela dá-me azar

(Heróis do mar)

“Cruzes canhoto! Lagarto, lagarto, lagarto! Eu não sou supersticioso, mas ele há coisas de má raça. Sinceramente.”
É assim que a maior parte da gente fala. O acaso dita muito da nossa vida. Nós que nos arrogamos a pretensão de ser o único animal dotado de racionalidade ao cimo da terra, temos o desplante de deixar a nossa vida fluir ao sabor do acaso, não fazendo o mínimo esforço para o controlar. É certo que seria impossível controlar todas as variáveis que influenciam o nosso viver, mas que diabo podemos e devemos controlar aquelas que estão ao nosso alcance. Chamem-me supersticioso mas eu não sou homem para me deixar apanhar desprevenido: rosário ao peito junto com um dente de alho, pata de coelho e ferradura no bolso. Ao entrar em qualquer sitio é sempre com o pé direito e uma bênção, nunca por nunca passo de baixo de um escadote, e ando sempre de óculos escuros para não ver a cor aos gatos.
Um individuo tem de ser preparar, especialmente nos dias que correm. Toda a ajuda é bem vinda e eu não desdenho nada nem que fosse o Einstein a dizer que era ridículo. Cá comigo não há brincadeira, com este arsenal de protecção contra o acaso não tenho medo de nenhuma borboleta batendo assas em Nova Iorque. Eu se fosse a vocês punha-me a pau. Riam-se agora que depois quando o Shôr Zé nos lançar um mau olhado logo vemos quem ri. Já agora alguém ai arranja o contacto do Professor Alexandrino?

Mr.T

Publicado por obicho em 06:20 PM | Comentários (3)

fevereiro 20, 2004

um cidadão informado lê o jornal e vê tv.

(Mão morta, cidadão informado)

Ouvi hoje dizer a Durão Barroso, num directo encenado para a televisão, que o país esta no bom caminho graças à politica do seu governo que fez com que o ano passado o já famoso défice se situasse em 2,8% do PIB. Mais lhe ouvi dizer que este feito, louvado pela Comissão Europeia, é a verdadeira base da nossa prosperidade futura uma vez implementadas as reformas estruturais que o governo empreendeu.
Ouvi no outro dia dizer à Comissão Europeia, citada num jornal da especialidade, que apesar de a consolidação orçamental estar a ser feita essencialmente do lado da despesa, a melhoria do saldo estrutural é apenas de 0,4% ao ano, o que fica abaixo do compromisso assumido por Portugal. Ouvi dizer também que o choque fiscal irá dar buraco ( literalmente), que cortar no Investimento é má politica e que é necessário melhorar a eficiência da maquina fiscal.
Ouvi dizer, à algumas semanas a Teodora Cardos (reputada economista) que o governo se tornou um escravo da sua frágil estratégia interna de utilizar o cumprimento do pacto como arma politica.
Ouvi dizer…o que eu ouvi dizer não interessa. O que interessa é o que nós ouvimos dizer, e nós só ouvimos dizer se alguém viu na televisão.

Mr.T

PS: Peço desculpa pela peça técnico-politica, mais própria porventura para outras latitudes blogosféricas mas foi o que se arranjou

Publicado por obicho em 04:11 PM | Comentários (2)

fevereiro 13, 2004

Hoje fiz uma lista de livros,

E não tenho dinheiro para os comprar
(Jorge de Sena, ode aos livros que não posso comprar)

Não só os livro mas também os discos, os dvds, os espectáculos, os jornais, as revistas, tudo.A saber:
-um livro por semana de uma das diversas colecções promovidas pelos diários de referência : 5€ x52=260€
-o respectivo diário de referência: 0,6€x300=180€ (haverá pelo menos 65 dias no ano em que não me apeteça ler o jornal)
-um disco a cada 2 meses: 20€x6=120€
-um dvd de uma colecção promovida pelos diários de referência: 9€x12=108€
-três espectáculos por ano: 30€x3=90€
-assinatura da “economist” (com desconto para estudante):74€
-fundo de maneio destinado à aquisição avulsa de bens culturais: 20€

Somando as parcelas chegamos à bonita soma de 260€+180€+120€+108€+90€+74€+20€=852€

852 Euros que eu poderia utilizar para investir na minha educação, maximizando como agente racional que sou a minha utilidade, mas que vou ter de transferir para o Estado como meio de contribuir para o financiamento de um ensino universitário obsoleto, cheio de professores incompetentes e currículos desactualizados e desinteressantes (como este post dirão alguns de vós).Enquanto eu aumento a minha contribuição o Estado reduz a sua, estado esse que se comprometeu , conjuntamente com os seus parceiros europeus, aumentar o seu nível de despesa com investigação e desenvolvimento para 3% do PIB em 2010, com vista a fomentar uma sociedade baseada no conhecimento e tornar a Europa num espaço competitivo a nível global.
E pergunto eu, é seguindo uma politica como esta, em que o investimento público é substituído pelo investimento privado na manutenção de um sistema caduco que se consegue atingir esta meta? Os senhores do terreiro do Paço saberão melhor do que eu por certo, eu simples aluno, que é como quem diz calão, cábula e borguista.

No final das contas o montante do meu investimento em educação fica inalterado, a qualidade do investimento é que caí a pique. Ok, tenho de ser razoável, os meus 852 euritos vão servir para aumentar a qualidade do ensino. Ao menos este ano o papel higiénico não deve faltar.

Mr.T (destilando ódio)

Publicado por obicho em 12:47 PM | Comentários (4)

fevereiro 06, 2004

Tu disseste: O que é que isso interessa?

Eu disse: Nada!
(Mão morta-Tu disseste)

Havia algo que não lhe agradava naquela composição. O carro em forma de pénis, ideia que um par de dias antes lhe parecera acertadissíma, afigurava-se-lhe agora totalmente disparatada, não se enquadrando modo conveniente na paisagem urbano-decadente que lhe servia de cenário. Jeremias- Pintor era naquele momento um homem desiludido consigo próprio.Não conseguia transpor para aquela redudiza tela as suas concepções sobre a alienação das sociedades capitalistas pós-indústriais.Afastou-se um pouco, como que procurando alhear-se do problema concreto de modo ter uma visão global da sua obra, esperando assim encontrar uma saída. “Que merda!” desabafou e, acto contínuo ensopou o maior dos seus pinceis numa lata de tinta ocre, começando a pincelar furiosamente sobre os bem trabalhados traços que anteriormente tinha gizado.Não parou senão quando tinha a tela completamente coberta de grossas e disformes pinceladas ocres.Agora sim, fazia-lhe sentido.Olhou em redor da garagem que lhe servia de oficina vendo as telas inacabadas que se amontoavam pelos cantos.Quase que sem pensar correu até à banca onde guardava as ferramentas e tirou de lá uma faca e, com uma fúria tal que quem o visse o julgaria possesso por um qualquer demónio, começou a rasgar uma a uma todas as suas obras.Quando acabou pegou nos ragões que fez e coseu-os todos juntos, de modo que ficou com uma manta de retalhos de dimensão apocaliptíca.Estendeu-a sobre o chão e tratou de pincela-la impetuosamente , e , enquanto o fazia e via a profusão de cores e traços tomar forma gritava, numa vertigem nunca vista: “eu sou o filho do caído, e ele fala pelas minhas mãos! Pois só o mais perfeito dos anjos pode do caos criar o belo, eu sou o filho do caido, e ele fala pelas minhas mãos!”
Formavam-se na tela retalhada formas escorreitas e graciosas que faziam daquela babel de cores a obra maior de Jeremias-Pintor.

Mr.T

Publicado por obicho em 12:07 PM | Comentários (2)

janeiro 30, 2004

A rosa que te dei

( José Cid)


E se eu te dissesse que vi um dia
O mar se abrir em dois
E que do meio do mar vi surgir um grifo
Trazendo nas suas garras um
Botão de rosa

E se eu te dissesse que, fazendo um voo rasante,
Deixou cair o botão de rosa aos meus pés
E que o chão em seu redor se tornou
Vermelho sangue, e eu
Do sangue o resgatei

E se eu te dissesse que o enterrei à tua porta
Na esperança que ele lá se abrisse
E que o reguei todas as manhãs
Com lágrimas de sangue e orvalho

E se eu te dissesse que ao sétimo dia
Ele se abriu, para logo de seguida morrer
E que as pétalas caídas no chão escreviam a vermelho essa palavra

Amor

Mr.T , poeta do absurdo e do absurdamente banal

Publicado por obicho em 01:37 PM | Comentários (1)

janeiro 23, 2004

A força da técnica contra a técnica da força

(Gabriel Alves)

Pois bem meus caros leitores, eis-nos chegados à sexta-feira e ao repto “a minha equipa de sonho” os meus compadres fizeram o favor de seguir caminhos alternativos aquele no qual estava pensando, obrigando-me, mais uma vez a divergir.Enfim, apenas me fazem justificar o título desta coluna...
Ora bem, a minha equipa de sonho, e falo de futebol é claro, tem como modelo a famosa equipa do União da Madeira do príncipio da decada de noventa, numa versão revista e aumentada.Refiro-me em concreto á mescla de estilos que pautava o futebol insular da época, nomeadamente a coexistência da escola do futebol-samba brasileiro com a escola do futebol-cacofónico da ex-Jugoslavia. Belos tempos esses em que tinhamos a felicidade de ver jogar lado a lado craques do calibre de um Beto e de um Simic.
A versão revista e aumentada deste modelo consiste na junção a estas duas escolas do futebol tango-futebol argentino, da ginga africana, da fleuma britanica e, last but not least, de alguns pingos do futebol indígena ( o bem conhecido Futebol-fado do desgraçado).Vamos por partes.

O BRASIL

Para representantes das terras de Vera Cruz escolhi os craques (como eu gosto deste vocábulo) Vinícius, grande lateral-esquerdo que fez as delícias das hostes lagartas; king, o magnânime defensor conhecido pelo seu pontapé-canhão; Luis Gustavo, fantasista que encantou no Restelo e na Luz; Jamir, Médio incansável; Lula, o melhor central do mundo (Pinto da Costa dixit); e Alessandro extremo-direito capaz de correr à velocidade da luz.

Os BALCÃS

Stipe Baljic, nas suas próprias palavras o melhor lateral do mundo; Silvo Maric, que pés maravilhosos; Ivan Dudic, melhor lateral direito que alguma vez pisou a relva da Luz, e o grande Ivica Kralj, o Guardião mor do templo.

A AMÉRICA-LATINA

Julian Kmet, o mago que tem em sí o melhor de dois mundos: o fulgor latino e, a frieza Polaca; Bruno Gimenéz, A.K.A. Marioni; Escalona e Uribe, o duo maravilha do Chile; Cesár Ramirez, o melhor atancante alguma vez produzido pelo futebol paraguaio, e, Ivan MorenoY Fabianesi, médio que transpira classe por todos os Poros.

ÁFRICA, MÃE ÁFRICA

Okunowo, genial; Missé-Missé & Ouatara, o duo dinâmico; Etiene N’Tsunda, a pérola negra; Akwá, o diamante angolano,e o unico e inconfundível Bóbó!

OLD ALBION

Poderia aqui enumerar numerosos futebolistas dignos de constar na minha equipa de sonho, mas vou-me limitar a nomear aquele que na minha modesta opinião consubstância o que há de melhor no futebol de sua majestade: Falo do grande Michael Thomas.

O FADUCHO

Os representantes do peito ilustre lusitano nesta minha selecção seriam o médio incansável Bruno Caires; o amarelejense Jorge Soares;o lateral Neves, digno sucessor do eterno capitão João Pinto e, por fim, a grande dupla que um dia migrou do Bessa para a Luz, Nelo e Tavares.

Penso que uma tal selecção de talentos teria condições para alcançar o dominio do Futebol planetário, não deixando nunca de imperssionar plateias com a qualidade do seu Jogo


Mr.T

PS: Peço desculpa a vós nobres leitores e aos restantes membros da irmandade pelo post à lá Entropista.Melhor dias virão.

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janeiro 16, 2004

toiotoio soiotoio

(Pico Pico Manjerico)

Eu gosto muito do imaginário infantil porque o imaginário infantil tem imaginação e a imaginação é uma coisa muito bonita.A imaginação faz a gente sonhar sonhos bonitos e eu gosto muito de sonhar e de brincar ao faz de conta que tambem é muito bonito.Eu gosto de fazer de conta que sou um Super Heroi como o Batemen e o Homem arranha e o Super Homem mas aquele que eu gosto mais é o Axion mene porque ele é muito forte e tem uma namorada muito bonita e eu quando for grande quero ter uma namorada como ela.Não quero é ter uma namorada como a Sara porque ela está sempre a gozar comigo e eu não gosto e fico triste e depois andamos à porrada.Eu não gosto de andar à porrada por que isso doí e a gente de pois chora e chorar não é bonito e por isso eu não gosto de chorar.Eu tambem gosto muito de jogar ao pião e ao arraiol porque jogo bem e ganho muito e fico muito feliz,tirando quando joga o Marco porque ele e muito batoteiro e eu não gosto de batotices e depois fico triste e andamos à porrada e eu já disse que não gosto de andar à porrada.E agora vou acabar a redacção porque já me doi às mãos e o meu pai diz para eu não cansar muito as mão porque quando for mais crescido perciso de ter mãos fortes e além disso vai começar a dar os desenho animados e eu vou ver porque gosto muito de desenhos animados e por isso vou ver agora o dartacão.
Fim

Mr.T (zinho)

Publicado por obicho em 03:27 PM | Comentários (2)

janeiro 09, 2004

Proletários de todo o mundo uni-vos!

(Manifesto do partido comunista-Marx&Engels)

A perpetua luta esquerda/direita…não direi que ser+a a luta do bem contra o mal, ou sequer dos oprimidos contra os opressores. Há muito que passei essa fase, cortesia da convivência com distintas realidades intelectuais e da abertura de espírito que lhe é inerente. Será, porventura, a luta da solidariedade contra a caridade, da igualdade de oportunidades contra a igualdade de condições, do mercado (ou talvez não) mas com cuidado contra o mercado sim e (quase) sempre. Enfim duas grandes formas de pensar o homem em sociedade que são a base aglutinadora das diversas ideologias que populam o espectro político.
Mas isto é apenas o que eu penso, eu que nunca li um tratado de ciência política, tendo apenas uma vez tentado, infrutiferamente, navegar pela densa, sinuosa e pouco instrutiva prosa de Nuno Rogeiro sobre o que é a política, apenas para desistir logo a paginas 50. Portanto se alguém tem algo a apontar ao que acima expus que se apresente, pois não estamos cá senão para aprender.
Como se pode ver pelo “slogan” que escolhi para título ( ainda hesitei em meter o mais user friendly “ Sejamos razoáveis, Exijamos o impossível!”) situo-me assumidamente num dos lados da luta, não necessariamente no campo do Marxismo ( ou de qualquer outro “ismo” que seja) mas achei que o velho grito é ilustrativo da temática da luta. Dizia eu que estou na luta, e estando na luta, ainda que de modo não muito intreventivo (limito-me a pensar no que se vai passando no mundo Politico e a expressar o meu pensamento, em ultima instância na forma de voto) revolta-me o cinzentismo e o alheamento da grande massa amorfa que invariavelmente, a cada período eleitoral, muda o sentido de voto entre os irmãos gémeos do centro, ao sabor das constantes desilusões. Contudo sente-se no ar a mudança. Quem postulou o fim das ideologias maldiz a hora em que o fez. As novas gerações vão tomando consciência do mundo em que vivemos e não se revêem no recalcado cinzentismo do centrão. À esquerda e à direita as convicções revêem-se .A luta está aí para durar, e ainda bem porque assim é que isto vai tendo alguma graça!

Mr.T

PS: Agora que leio os textos dos meus compadres reparo que eu sou o verdadeiro subversivo, não o comandante. Foi sem querer, desculpem qualquer coisinha.
Peço desculpa pela interrupção, a normalidade segue dentro de momentos.

Publicado por obicho em 12:02 PM | Comentários (3)

janeiro 02, 2004

Ai Portugal, Portugal...

(Jorge Palma)


...E Mr.T está:

Chocado
Pasmado
Indignado
Agradado
Solidário
Com uma grande dor de cabeça por conta dos copos a mais no revelhão


Solidário
...Com o povo português, no meu entender a gande figura de 2003.E passo a explicar:
Foi um ano duro, muito duro.Incêndios, incompetencia, injustiças, invejas, indisposições, incompatibilidades, injurias e tudo mais começado em in lhe caiu em cima (vocês sabem do que eu estou a falar).E sobreviver a isto tudo sendo português, e tendo que gramar com o premanente fadinho do desgraçado, a constante falta de confiança em sí mesmo, e o raío do Portugal no seu melhor e do Zé Portuga desenrascado...é demais para um só povo.Tem a minha solidariedade.Nunca se esqueçam, sois grandes.Mesmo quando vos digam o contrário!

Mr.T

Publicado por obicho em 06:19 PM | Comentários (0)

dezembro 26, 2003

Encontrei-a na Plaza Real

(Barcelona-Mão Morta)

Despedia-me de Don Alejandro Vegas Robaina, que até então me tinha acompanhado, deixando-o a morrer,condignamente, entre as suas cinzas,de modo a permitir que o seu excepcional bouquet perfumasse por mais uns momentos o espaço que ocupava, quando a avistei, ao longe, no meio da multidão que passava.Acenei-lhe para lhe fazer saber onde estava, e recostei-me deleitado, a seguir o seu caminhar inseguro, tentando-lhe descobrir os contornos do corpo que bailava algremente sob um fresco vestido primaveril azul cobalto.Entrou pela arcada dentro, trazendo o sol da meia-tarde no seu olhar.Levantei-me para o cumprimento ritual do beija face, e foi assim que me vi transportado para um mundo de fantasia, tão inebriante era o perfume que exalava a sua pele .Son parfum, oui, son parfum. Invadiu-me e entranhou-se bem dentro de mim.Tão poderosa combinação não poderia nunca ter sido por um qualquer conjunto de nez, fermé dans un laboratoire à Paris.No, mes amis, c'est la création du bon dieu lui-même.Somente ele poderia ter juntado, na dose correcta, orquídeas e açucenas, canela e pimenta, e, fino toque ácido do limão.O jogo equilibrado entre o calor e a frescura, temperado pelas notas provocantes das especiarias.
Deixei-me levar, embriagado por esse impulso delirante, e procurei os seus lábios.A luxúria tomava conta de mim, tomava conta de nós.Tudo era vertigem, um carrocel louco que não conseguiamos governar.Os acontecimentos sucediam-se uns atrás dos outros numa velocidade escaldante.Corremos as Ramblas entre copos e junkies como se cruzassemos um bazar de marraquexe, tão forte era o odor do haxixe que enchia o ar por completo.E a loucura continuou noite dentro, no Barrió Chino.
O fim da noite foi na Gare Marítima
A ver o sol a nascer no Mediterrâneo

Mr.T

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dezembro 19, 2003

This is my truth, tell me yours

( Manic street preachers)


A poligamia é o mito de Prometeu revisitado e entregue a visões alucinogénicas de anéis de ouro e vinho de maçãs. É tão bizarra e inócua como um polígono irregular de duas faces e mais uma aresta anestesiante de palpitações arrítmicas num dia de Junho. Mais digo, a poligamia é um polinomio do terceiro grau, descendente em linha directa de uma hesseana orelada mal parida do no ano da graça do grande irmão de 1984.
Uma aberração estatística. Uma descontrução pós-escatológica do fogo-fátuo com rivalidade nenhuma nas análise proto-arcáico-sinteticas da afamada dor de colhões: Improvável, Impossível, Impassível. E contudo segue a sua marcha nupcial, triunfal, intemporal.
Um dia conheci uma Maria que
Tinha dois maridos. De cada um
Deles tinha dois filhos
Que lhe deram cada um dois netos. E
Um dia a Maria
Morreu
A monogamia, parente por becos e vielas da poligamia, é a monografia da mamografia monossilábica em tons monocromáticos de uma cacofonia monocórdica em dó maior. Não vale nada, não é nada, não existe nem pode existir. É tão falsa quantos os decassílabos de Descartes. Sol-e-dó. Antes fazer como Onã, sair em busca do prazer espiritual e de outras soturnas vivências capiloformes
Confunde-se com o marasmo geral de um monómio transbordante de monotonia. Não existe, nada existe, nada pode existir. Fica só o amor, fica só a dor. Fica só o deserto.
Tenho dito!

Mr.T


Inédito, escrito em três minutos, sem pré nem pós reflexão, durante uma travessia do Tejo em final de tarde de cerrada neblina.

Acham confuso? Não percebem nada? Experimentem então viver com mais de uma mulher ao mesmo tempo para ver o que é confusão!

Já agora se por acaso aqui passar um psicanalista é favor contactar a gerência.

Publicado por obicho em 03:33 PM | Comentários (3)

dezembro 12, 2003

...we know you're stranger, but you're no stranger then me or you...(Supergrass-We're not supposed to)

No delírio colectivo da multidão um rosto destaca-se. O seu olhar sobressai de entre os outros. Este é diferente dos outros, transpõe a barreira do ecrã e entra dentro de nós. Segue a objectiva da câmara de televisão com uma devoção total, só possível a quem lhe tem amor, a quem tem o dom de com ela fazer amor ( make love to the camera, baby ) . Na sua ingenuidade cristaliza o desejo colectivo que foi fermentando no bicho homem desde que o primeiro feixe de raios catódicos bombardeou o primeiro ecrã da primeira televisão: aparecer na caixa mágica. Fazer parte desse mundo de fantasia. Só assim se compreende o seu sorriso terno de catraio e o ar de deleite que irradia.. E o povo ri-se. Vê os esforços vãos do repórter para se desembaraçar da sua incomoda presença e ri-se. Delira quando o repórter lhe faz umas perguntas como quem dá um doce a uma criança a ver se lhe para a birra, e ele invariavelmente responde: “O puorto é o maior!”, “O Pinto dá Cuosta é o meu pai. É o meu pai o Pinto dá cuosta:”
Ri o povo vendo nele caricaturada a sua figura. O “Emplastro” não é mais do que a versão personalizada e aumentada do “Popular” que amiúde invade os telejornais .Esse mesmo, aquele que corre a todas as desgraças a ver se consegue cinco segundos de tempo de antena , que grão a grão enche a galinha o papo na busca dos quinze minutos de fama a que todos temos direito. Isto não sem antes telefonar, ainda em segundo plano a tudo o que é parente, amigo, vizinho ou simples conhecido: épa, tou na televisão, pá!, é na tvi, liga lá o aparelho que eu já te faço adeus!
Ele pode ser estranho, mas não é mais estranho do que nós. E tu, és estranho o suficiente? És louco o suficiente?

Mr.T

P.S:1- Memorando interno nº 31c/03
De : Mr.T
Para: Comandante
Caro comandante, como pode ver (apesar de o exemplo não ser lá grande coisa) não é assim tão difícil. Deixe lá mas é em paz as suas musa que elas até se portaram bem. A julgar pelos sucessivos takes que apresentou deram-lhe vários pontos por onde pegar.
O seu problema não está na inspiração, está outrossim nos 99% de transpiração de que falava o sábio Thomas Alva.

Saudações e votos de bom trabalho.


P.S.2- Saí um café, mormente para a mesa do fundo!

Faço-me me entender, colega?

(private joke)

Publicado por obicho em 12:03 PM | Comentários (2)

dezembro 05, 2003

…come-se e bebe-se se alguém nos diz bom proveito…(o primeiro dia - Sérgio Godinho)

A culinária no meu caso remete-me quase imediatamente para o campo dos afectos, não falo das carícias/malícia/delícias para as quais os meus companheiros se têm voltado, e bem, digo eu, já que são tantos os pontos de contacto entre a mesa e acama que mau seria se o não fizessem. Mas divirjo. Dizia eu, o assunto da culinária remete-me para o campo dos afectos, das memorias de infância e dos natais na aldeia, dos intermináveis preparos gastronómicos das avós. Ninguém cozinha como as nossas avó. Ninguém, nem mesmo as nossas mães. Vêm me à memoria as vagens guisadas da minha avó Alice, as quais não me lembro de ter provado, ou não tivesse ela morrido tendo eu apenas meses (a memória tem destas coisas, entranha-se-nos no sangue e é perpetuada pelos genes), e, a extraordinária cabidela da minha avó mariana, que cedo demais deixei de saborear, antes mesmo de estar preparado para a degustar na sua plenitude. Há pratos assim, é preciso uma maioridade (maioridade de facto, não a legal) para os apreciar como deve de ser. Poderia continuar indefinidamente, entrar por cozidos de grão, de couve, açordas, filhós (alguidares delas), bolos podres, etç. e tal, apenas para dizer que há sabores que nos marcam, aromas que nos transportam de volta aos lugares da nossa infância, às autênticas oficinas de alquimia que eram (são) as cozinhas de nossas avós. Mas não só. O mesmo se aplica a espaços de afecto mais amplos, as amizades. É em boa parte à mesa que se alimentam as amizades, nutrem-se os afectos de compartir o pão e o vinho, como se da última ceia de Cristo se tratasse. Estranho rito humano esse que (quando genuíno, claro está) faz da divisão dos pães a multiplicação das almas. Come-se e bebe-se se alguém nos diz bom proveito, mas come-se com gosto. Com gosto genuíno.
Já chega. Estou um lamechas, não gosto de me ver assim. Fico por aqui, senão corro o risco de ficar com uma lágrima no canto do olho. Peço desculpa pela interrupção, o programa segue dentro de momentos...

Mr.T

Publicado por obicho em 03:35 PM | Comentários (1)